Perito diz que houve excesso da PM no Carandiru

Por Tercio Braga
Multidão diante da Casa de Detenção, em São Paulo, no dia 2 de outubro de 1992. Intervenção da PM após tumulto resultou na morte de 111 presos | Luiz Novaes/Folhapress Multidão diante da Casa de Detenção, em São Paulo, no dia 2 de outubro de 1992. Intervenção da PM após tumulto resultou na morte de 111 presos | Luiz Novaes/Folhapress

Começou nesta segunda-feira, em São Paulo, mais uma fase do julgamento dos PMs acusados pelo massacre do Carandiru – a morte de 111 detentos durante uma rebelião há mais de 20 anos. O principal depoimento do dia foi do perito Osvaldo Negrini, que foi enfático ao afirmar que houve excesso por parte da PM.

Esta é a terceira etapa do julgamento dos policiais militares que agiram dentro do pavilhão nove. No dia 2 de outubro de 92, 111 presos foram assassinados na casa de detenção, após uma briga. Dessas mortes, 102 são atribuídas aos PMs que invadiram o prédio.

O júri foi desmembrado e acontece por andar da casa de detenção. Já foram julgados 26 policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) que eram acusados de matar 15 pessoas no primeiro andar. No segundo andar, foram 73 mortos e 29 agentes da Tropa de Elite da PM paulista, já julgados e condenados. O julgamento que começou hoje tem no banco dos réus 15 policiais do Comando de Operações Especiais, acusados de matar oito presos no terceiro andar. O próximo julgamento terá 13 homens do Gate apontados como autores de 15 mortes no quarto andar do Carandiru.

Mais uma vez os responsáveis por dar as ordens para invadir a casa de detenção não estão no banco dos réus. O então governador de São Paulo, Luís Fleury e o ex-secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos nunca foram julgados pelo massacre.

Até agora já foram condenados 48 PMs, com penas de até 624 anos de prisão. Mas eles recorrem da sentença em liberdade. A expectativa é de que essa nova fase do julgamento termine até sexta-feira.


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