Suspeitos recebiam R$ 150 para quebra-quebra, diz advogado

Por fabiosaraiva
O manifestante acusado de disparar o rojão que matou o cinegrafista Santiago de Andrade, Caio Silva de Souza, chega à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na manhã desta quarta-feira (12). Ele foi capturado na cidade de Feira de Santana, na Bahia, e embarcou direto para o aeroporto do Galeão de onde seguiu até a base da Polícia Civil, na zona norte | Daniel Marenco/Folhapress Acusado de disparar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, Caio de Souza chega à Cidade da Polícia, no Rio, na manhã desta quarta  | Daniel Marenco/Folhapress

O advogado que defende os suspeitos de envolvimento na morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade, Jonas Tadeu Nunes, afirmou nesta quarta-feira que Caio Silva de Souza e Fábio Raposo recebiam dinheiro de organizações para irem a protestos e causarem tumulto no Rio de Janeiro.

Segundo Nunes, Caio foi aliciado a participar da manifestação com o intuito de fazer um quebra-quebra e, em troca, ganharia R$ 150. A Polícia Civil abriu um inquérito em paralelo para investigar a afirmação.

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Mais cedo, Caio Silva de Souza, preso na madrugada desta quarta-feira em Feira de Santana, na Bahia, admitiu ter acendido o rojão que matou o cinegrafista. Em entrevista exclusiva à Rede Globo, Souza diz que acendeu o artefato sem saber que se tratava de um rojão. O suspeito, que foi levado na manhã desta quarta-feira ao Rio de Janeiro, está preso na Penitenciária de Bangu.

Em entrevista à repórter Mônica Puga, da TV Bandeirantes, Caio lamentou a morte do cinegrafista.

“Eu lamento, porque (Santiago) era um trabalhador igual a mim”, declarou Souza em mensagem para amigos e familiares do cinegrafista.

Projeto anti-vandalismo

A falta de uma lei específica dificulta o trabalho do Ministério Público do Rio de Janeiro, na hora de manter vândalos na cadeia. Tudo seria diferente se o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, tivesse se empenhado para levar adiante o projeto para conter atos de violência, durante as manifestações. Nesta quarta-feira, a Justiça do Rio começou a avaliar se um acusado de ser líder dos black blocs irá a julgamento.

Coletiva

À polícia, Souza não admitiu ter acendido o artefato. “Ele deixou claro que não falaria a respeito dos fatos. Não admitiu nem negou nada que lhe é atribuído”, informou o delegado Mauricio Luciano, responsável pelo caso, em coletiva de imprensa de quase 50 minutos de duração.

De acordo com Luciano, o advogado do suspeito diz que Souza se pronunciará apenas em juízo. O fato, porém, não muda a posição dos investigadores sobre o crime. “Para a polícia, a confissão é apenas mais um elemento. Temos prova técnica, de vídeo. Não tenho dúvida que foi ele, mas não temos a confissão”, aponta o delegado. “Ele está sendo muito cauteloso, talvez instruído pelo advogado para falar no momento que ele entender oportuno”.

Prisão

O suspeito estava assustado em um quarto pequeno de uma pensão quando foi encontrado pela polícia nesta madrugada em Feira de Santana, na Bahia. “Ele estava extremamente assustado. Acalmei ele e garanti seus direitos”, explicou o delegado Luciano, que esteva no momento da detenção de Caio.

O delegado estava acompanhado da namorada e do advogado do suspeito. “O advogado auxiliou, confirmado o destino dele, diz Luciano. O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, também reforçou a importância do defensor. “A polícia chegou primeiro ao Caio por causa da intervenção do advogado”.

Para Luciano, o sucesso da investigação deve-se ao respeito aos direitos do detido. Um desses pontos é a permissão para que a namorada conversasse com ele antes que a polícia entrasse no quarto da pensão. “A operação não teve qualquer tipo de intercorrência ou que pudesse acarretar qualquer tipo de prejuízo futuro”.

Saída do Rio

O delegado relata que, segundo informações de vizinhos, o suspeito saiu de casa na segunda-feira de manhã com uma mochila na companhia do pai e da madrasta. “Também tivemos informações de que ele teria ido para uma cidade do Nordeste. Ele comprou uma passagem para Ipu, no Ceará, onde moram os avós paternos“, conta Luciano.

No meio do caminho, o suspeito foi convencido a desistir da fuga pelo advogado e pela namorada. Com o defensor, ele combinou um local onde pudesse ser encontrado. O suspeito foi, então, encontrado pela polícia – que também o seguia por meio de investigações de seu departamento de inteligência, o Cinpol – na pensão baiana.

Delegado já sabia da fuga:

Comportamento

Algo que será analisado pelos investigadores é a postura do suspeito. “Percebemos que, nas relação pessoais, ele tem uma personalidade diferente do que ele apresentou nesse caso do Santiago”, diz o delegado Luciano, que lembra da reação dos vizinhos e colegas de trabalho quando souberam do envolvimento dele na morte do cinegrafista.

No dia a dia, segundo o relato dos vizinhos aos investigadores, Caio mostra-se uma pessoa quieta, que cumprimenta a todos, comportamento que mudaria em aglomerações. “Na multidão, ele se transforma e passa a agir de forma violenta”, diz Luciano na coletiva. Em razão dessa análise, o delegado ainda pretende investigar se ele foi manipulado “para agir dessa forma em manifestações”.

O caso

O cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, foi atingido na cabeça por um rojão durante um protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro. O caso aconteceu na última quinta-feira e, na segunda-feira, ele teve morte cerebral constatada.

Velório

O corpo do cinegrafista será cremado ao meio-dia desta quinta-feira. A cerimônia será fechada para familiares e amigos. O velório acontece das 7h às 11h no Cemitério do Caju.


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