Promotor afirma ter visto policiais com armas de borracha na cracolândia

Por talita
Barracos da alameda Dino Bueno foram removidos | Wanezza Soares/Metro Participantes da operação ‘Braços Abertos’ foram atingidos| Wanezza Soares/Metro

Participantes da operação da prefeitura paulista “Braços Abertos”, que dá trabalho a usuários de drogas, foram atingidos por tiros de bala de borracha, denuncia, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o secretário municipal de Segurança Urbana, promotor Roberto Porto. Ontem, uma operação do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) causou tumulto na região da Cracolândia, centro de São Paulo. “Vi policiais do Denarc com a arma que dispara bala de borracha. Tenho relato de pessoas no programa que foram atingidas por bala de borracha. Que eu vi essa arma, eu vi”.

Segundo o promotor, a operação não foi comunicada. “Conversei com integrantes da PM[Polícia Militar], que demonstraram desconhecimento. Uma operação desse porte e com essa magnitude as pessoas serem comunicadas”, diz.

Porto lembra que a ação de combate ao tráfico tem acontecido regularmente na Cracolândia. “Prisão de traficantes é necessária e vinha sendo feita. A PM tem prendido três por dia nesse local sem nenhum problema. E em nenhum momento a PM colocou em risco o trabalho feito”, aponta o promotor. “Mas o que não se pode aceitar é uma ação como a do Denarc. Mais parecia um revide e um excesso que colocou em risco a integridade de pessoas que passavam pelo local e não tinham nada a ver com a situação. Temos hoje, naquela região, um ambiente pacífico. O excesso tem que ser debatido para não acontecer mais”.

Lamento

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, lamentou a operação surpresa da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira na cracolândia. Ele condenou a abordagem dos agentes, que entraram em confronto com os usuários e atiraram balas de borracha contra a população.

Além dos usuários de droga, assistentes sociais e até o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto, foram vítimas de balas de borracha e bombas de efeito moral usadas na ação. Segundo  Haddad, tanto a prefeitura quando a PM não foram avisadas. Indignado com o trabalho do Denarc, ele reafirmou o compromisso com o programa, iniciado na semana passada.

O caso 

A operação aconteceu por volta das 14h30 entre as avenidas Rio Branco e Barão de Piracicaba. Um rapaz teria sido detido pelos agentes, o que motivou a população a ameaçar a polícia com pedras. Logo depois, os agentes começaram a disparar balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os usuários de drogas.

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