Vítimas dos ladrões de bicicleta abandonam treinos na USP

Por Tercio Braga
Ciclistas têm sido vítimas de assaltos na USP. Ladrões armados são atraídos por bicicletas que chegam a custar R$ 30 mil | Reprodução/Band Ciclistas têm sido vítimas de assaltos na USP. Ladrões armados são atraídos por bicicletas que chegam a custar R$ 30 mil | Reprodução/Band

Vítimas recentes da onda de assaltos a ciclistas na Cidade Universitária, no Butantã, na zona oeste de São Paulo, relataram momentos de pânico diante de assaltantes ao metrojornal.com.br. Em um dos casos, uma mulher teve seu carro atingido por dois tiros durante uma tentativa de roubo na USP.

Conforme o Metro Jornal noticiou nesta terça-feira, somente nos primeiros 20 dias deste ano ocorreram 14 roubos a ciclistas. Mas as histórias de violência na região já são constantes e ocorrem há mais tempo.

Em novembro último, uma empresária de 48 anos foi surpreendida enquanto se exercitava na USP. A mulher conta que frequenta o campus ao menos três vezes por semana, onde treina para uma competição de triatlo.

“Eram 6h20 da manhã quando cheguei na USP. Uns 500 metros antes de parar na vaga de costume, um carro tentou me fechar no semáforo, mas me desviei um pouco antes de parar no sinal vermelho. Assim que paramos, um homem saiu armado de um veículo que estava atrás do meu”, lembra a vítima. “Vi a movimentação pelo espelho e não pensei duas vezes: acelerei com tudo. Só ouvi os disparos.”

Apesar de achar que estava sendo seguida pelos ladrões, a triatleta ainda parou o carro para alertar amigos sobre a presença dos criminosos.

“Ao parar, vi que não havia ninguém atrás de mim. Desci do carro e comecei a chorar por causa do susto. Foi aí que vi as marcas de tiros no carro. Até então, meus amigos achavam que eu tinha imaginado.”  A mulher procurou a delegacia e registrou Boletim de Ocorrência, além de alertar os seguranças da USP.

A tentativa de assalto mudou a rotina da mulher, que desistiu de treinar na USP. “Vou pedalar em outros lugares, na ciclovia, em estradas… Não volto mais lá e se puder evito a região, mesmo de carro.”

Triatleta há 7 anos, a empresária considera até a possibilidade de parar de competir, por falta de segurança para treinar. “Como já investi tempo e treinamento nesta competição, não vou abandonar agora. Mas não sei se vou continuar depois disso. Tenho dois filhos e não posso arriscar deixá-los sem mãe.”

Mais violência

Outra vítima da violência recente na USP, o empresário Emerson Fernando Vilela, 43 anos, teve sua bicicleta roubada na última quinta-feira (16). “Tinha acabado de clarear do dia, por volta das 6h30, quando dois homens em uma moto me abordaram. Um deles disse estar armado e não paguei para ver. Entreguei a bike na hora”, disse Vilela, que também registrou um Boletim de Ocorrência.

O empresário afirma que treina na Cidade Universitária há 12 anos, ao menos três vezes na semana. Agora, sem a bicicleta, ele terá de abandonar o treinamento, pelo menos até conseguir outra.

Frequentadores do campus prometem um protesto no dia 1º de fevereiro pedindo mais segurança no local. O evento, chamado “Pedalada e caminhada pacífica por segurança ao atleta”, será realizado na praça da Reitoria. Mais de 600 pessoas já confirmaram presença na página do evento no Facebook.

 

Outro lado

Procurada pelo Metro, a USP afirmou que o patrulhamento do campus é de responsabilidade da PM (Polícia Militar) desde setembro de 2011, quando foi firmado convênio com a SSP (Secretaria de Segurança Pública).

A PM afirma que fará uma reunião com o delegado titular do 93º DP (Jaguaré) para adotar ações de segurança na Cidade Universitária. Atualmente, o patrulhamento é feito por motos da Rocam (Rondas Onstensivas com Motocicletas).

 

Veja abaixo, vídeo da Band sobre os crimes na USP:
Créditos da reportagem

Cássio Abreu – ciclista
Olívia Freitas – repórter
Emerson Vilela – instrutor
Vinícius Cossani – ciclista

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