Defasagem nos semáforos causa problema no sistema em SP

Por george.ferreira

A defasagem do sistema de inteligência é a causa das quebras de semáforos na capital paulista, segundo o diretor de sinalização da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Sérgio Torrecilas. Em entrevista no estúdio da BandNews FM, Torrecilas apontou há equipamentos com quase 30 anos de uso. “Temos capacidade operacional para arrumar todos os semáforos, mas alguns não têm mais peças de reposição. Tem controlador da década de 1980”.

O diretor relata que, em alguns casos, os técnicos da companhia precisam ir até à Rua Santa Efigênia – conhecida pelo comércio de equipamentos eletrônicos – para comprar peças e recuperar os semáforos. Por esse motivo, estão sendo investidos R$ 220 milhões para reforma estrutural nos cruzamentos, segundo Torrecilas.

A verba será utilizada para transformar cerca de 4,8 mil cruzamentos semaforizados – a cidade tem 5,6 mil – até agosto de 2015. Entre as medidas previstas estão o aterramento de fio e a troca de disjuntores. A troca de controladores – algo em torno de mil – também está prevista. “A reforma, o conserto vai ser muito mais rápido”, afirma o diretor. “É falso dizer que, depois de tudo terminado, não vai mais ter semáforo apagado. Mas é um problema que, em poucos minutos, será solucionado”.

Com o novo sistema, Torrecilas aponta que os consertos poderão ser feitos remotamente. “Com todos os semáforos funcionando, teremos um ganho de 2%, 3% na fluidez do trânsito”.

O ganho para o motorista deve ser maior – cerca de 15% – com a implantação de semáforos inteligentes, que é a próxima fase de investimentos no setor, segundo o diretor da CET. “O sistema colocado na década de 80 é muito pequeno, incipiente. Ele tinha sido programado pra atingir 1,5 mil cruzamentos. E foi quebrando, quebrando até chegar à situação de hoje, de 100 [em funcionamento]”.

Sem apresentar uma data em que eles serão implantados, Torrecilas explica que o semáforo inteligente, por meio de medições locais, vai calcular o tempo ideal de abertura ou fechamento do semáforo. “E, com isso, o transito vai fluir melhor a partir das alterações feitas por software. A cada cinco minutos ele pode alterar a programação”.

Razoável

Para o diretor de sinalização da CET, o número de semáforos quebrados diariamente está dentro do razoável. Seriam de 20 a 30, o que representa cerca de 0,5% em um universo de 5,6 mil. “Não há uma ação que resolva 100% dos casos”, diz Torrecilas.

De acordo com o diretor, a falta de energia não seria o problema constante para as falhas. Ela representaria apenas 13% dos casos. Outros 15% seriam sobre variação da corrente elétrica, 12% por roubo de fiação. Uma outra parte seria decorrente de raios e descargas elétricas.

Perguntado por ouvintes da BandNews FM por que as mesmas falhas não acontecem com radares, Torrecilas lembra que estes são terceirizados. “Eles são contratados por licitação, por empresas que tem obrigação de fazer funcionar 24 horas por dia. Os semáforos não são terceirizados, são da prefeitura”.

O diretor também aponta que os radares tem “no-break”, um sistema que os fazem funcionar por um determinado tempo. Atualmente, há 1,4 mil no-breaks em semáforos, de acordo com Torrecilas. A meta é que eles sejam implementados em algo entre 2,5 mil e 3 mil. “Se não tivéssemos feito nada, teríamos um problema cada vez maior”, conclui o diretor de sinalização da CET.

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