‘Rolezinhos’ agora miram unidades do Sesc e parques da capital

Por Caio Cuccino Teixeira
Polícia Militar usou gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar 3 mil jovens no shopping Itaquera | Robson Ventura/ Folhapress

Os organizadores dos “rolezinhos” – encontros marcados por jovens em shoppings pelo Facebook – começam a buscar novos locais para se reunir. Além dos centros comerciais, há encontros marcados em unidades do Sesc e nos parques Ibirapuera e do Carmo (veja quadro).

Além disso, apesar da reação truculenta dos seguranças e  da polícia, nas redes sociais já existem mais dez  “rolês” agendados até fevereiro em shoppings da região metropolitana. No sábado, no Itaquera, a PM (Polícia Militar) usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar cerca de 3 mil jovens que se reuniram no local. Um vídeo feito pela “Folha de S.Paulo” mostra policiais militares usando cassetetes contra jovens dentro do shopping. Segundo a assessoria de imprensa do centro de compras, não houve registro de furtos.

Pelo menos cinco shoppings já obtiveram liminares na Justiça impedindo a realização dos atos. Para muitos, a medida é discriminatória, mas associação dos lojistas diz que o objetivo é proteger os frequentadores e comerciantes.

Ontem, o governador Geraldo Alckmin afirmou que a Corregedoria está apurando as denúncias de que policiais agrediram jovens. “O governo não tolera nenhum tipo de desvirtuamento da função”. Segundo Alckmin, a segurança interna dos centros comerciais deve ser privada e que a polícia só foi ao local após decisão judicial. “Houve uma decisão judicial pedindo segurança e nós cumprimos”, afirmou.

No Rio de Janeiro, um grupo está organizando um “rolezinho” no Facebook para o shopping Leblon, no próximo domingo, às 16h20.

“Em apoio à galera de São Paulo, contra toda forma de opressão e discriminação aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da Polícia Militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”, diz a convocação. Mais de quatro mil pessoas confirmaram presença.

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OAB vê sinais de discriminação

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Martim de Almeida Sampaio, disse ontem que há sinais de discriminação por parte dos shoppings ao usar liminares para restringir o acesso dos jovens aos centros de compras.

“A leitura que se faz é que shoppings são locais para ricos. Pobre tem que ficar do lado de fora”. Ele disse também que vai procurar os jovens que foram detidos para saber o que ocorreu no dia dos “rolezinhos’, além de pedir aos shoppings acesso às imagens de vídeo.

Em uma liminar obtida pelo shopping JK Iguatemi, o juiz Alberto Gibin Villela afirma que “pequenos grupos se infiltram nestas reuniões com finalidades ilícitas e transformam movimento pacífico em ato de depredação, subtração, violando o direito do dono da propriedade”.

Haddad quer contato com jovens

O prefeito Fernando Haddad afirmou ontem que sua administração está em contato permanente com a juventude e que designou duas secretarias para acompanhar os “rolezinhos” e as decisões judiciais que proíbem os encontros. Segundo ele, os shoppings não devem empurrar o problema para a prefeitura.

“É a cidade que precisa ser discutida e nós precisamos evoluir no sentido de abrir espaços públicos para que as pessoas possam usufruir mais da cidade”, disse.

O presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, afirmou ontem que mais shoppings entrarão na Justiça para impedir os “rolezinhos”.

O caminho será o mesmo adotado pelos shoppings Itaquera, Campo Limpo e JK Iguatemi, que ganharam liminares neste fim de semana impedindo as reuniões, sob pena de multa de R$ 10 mil para quem infringisse a determinação.

Sahyoun disse ainda que vai pedir à prefeitura para liberar áreas públicas, como o Sambódromo, na zona norte, para a realização de festas.  

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