Após 12 mortes durante madrugada, ônibus são incendiados em Campinas

Por fabiosaraiva
Ônibus incendiado em Campinas | Moacyr Lopes Junior/FolhaPress Ônibus incendiado em Campinas | Moacyr Lopes Junior/FolhaPress

Ao menos três ônibus foram incendiados e outros sete depredados na manhã desta segunda-feira em Campinas, no interior de São Paulo, após uma chacina que deixou 12 mortos durante a madrugada. A Polícia Civil investiga se os ataques foram uma resposta ao assassinato do PM Arides Luíz dos Santos, de 44 anos, anteontem, durante uma tentativa de assalto.

Uma força força-tarefa  foi criada para apurar o caso. A polícia também investiga se as mortes são consequência de uma possível guerra entre quadrilhadas que atuam na cidade.

Do total de mortes,  cinco ocorreram no bairro Vida Nova. Como resposta,  um grupo de aproximadamente 20 pessoas realizou um protesto pedindo a punição dos autores da chacina. O saldo  da manifestação foi de três ônibus e um carro queimados, além de um terminal depredado. A circulação dos coletivos na região foi suspensa. A PM prendeu  três manifestantes durante os ataques.

Um policial, que preferiu não ser identificado, acredita que os autores da chacina saíram para pegar qualquer homem que estivesse na rua. “O alvo foram aqueles com faixa etária entre 17 e 30 anos e, quando eles chegavam, se havia mulher e criança, eles mandavam entrar. Obrigavam os homens a se ajoelhar e os executavam”, complementou.

As mortes tiveram início na noite do domingo, no bairro Florence 1, onde foi registrado o primeiro ataque. O grupo de criminosos, estimado em oito pessoas, passou por mais três bairros até fazer sua última vítima, por volta das 5h40, na Vista Alegre.

Segundo a polícia, todos os crimes apresentam características de execução. As vítimas foram mortas com tiros frontais na cabeça ou no tórax. Três carros foram utilizados na ação.

Segundo apurou o Metro Jornal, em um dos locais, os autores da chacina chegaram em um carro e perguntaram a dois rapazes, que estavam sentados em uma esquina, se estava tudo bem. Eles disseram que sim. Os homens, então, mandaram que corressem. Um deles conseguiu entrar em casa a tempo. Já o outro, que não conseguiu escapar, foi morto. 

 

Buracos de balas em muro no bairro Vida Nova   |  Thomaz Marostegan/Metro Campinas Buracos de balas em muro no bairro Vida Nova | Thomaz Marostegan/Metro Campinas

Polícia segue em alerta

A sequência de ataques registrada em Campinas colocou as policiais Civil e Militar e a Guarda Municipal em alerta. O objetivo é evitar novas investidas contra ônibus e veículos de passeio durante as investigações sobre a chacina.

Após as mortes, as forças de segurança já esperam uma reação violenta por parte dos moradores dos bairros onde os crimes foram registrados. Como primeira medida de prevenção, a segurança foi redobrada nessas regiões, especialmente no entorno do 9º DP (Distrito Policial).

Também foi decidido colocar em prontidão homens do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), grupamento da Polícia Civil.

 

Imprensa portuguesa

A divulgação das 12 mortes e os ataques por parte da população chamaram a atenção da imprensa de Portugal. A seleção daquele país escolheu Campinas como sede durante a Copa de Mundo deste ano.

Até o final da tarde desta segunda-feira, dois veículos de comunicação portugueses já haviam pedido informações ao delegado responsável pela Seccional de Campinas, José Carlos Fernandes.  Os jornalistas questionaram o andamento das investigações.

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