"Lutaremos para tirar Putin do poder", diz banda punk Pussy Riot

Por george.ferreira
Integrantes do Pussy Riot dão entrevista à TVs locais | Tatiana Makeyeva / Reuters Integrantes do Pussy Riot dão entrevista à TVs locais | Tatiana Makeyeva / Reuters

As integrantes da banda punk Pussy Riot, libertadas esta semana, afirmaram nesta sexta-feira (27) que lutarão para tirar do poder o presidente Vladimir Putin e que apoiariam uma candidatura do ex-oligarca Mikhail Khodorkovsky, que recebeu indulto do chefe de Estado russo.

As duas jovens músicas chegaram a Moscou na manhã desta sexta-feira e apresentaram seu projeto para defender os direitos dos presos em sua primeira entrevista coletiva desde que foram libertadas na última segunda-feira (23). Elas também criticaram duramente o presidente russo.

“Em relação a Putin, nossa posição não mudou. Queremos continuar fazendo aquilo pelo que nos prenderam: queremos tirá-lo do poder”, declarou Nadezhda Tolokonnikova em uma coletiva de imprensa junto com a outra jovem integrante do Pussy Riot libertada, Maria Alyokhina.

A jovem música, de 24 anos, se referiu à “oração punk” contra Putin, que o grupo cantou em fevereiro de 2012 na catedral do Cristo Salvador, em Moscou, onde apareceram encapuzadas e acompanhadas de sua guitarra ela, Alyokhina e outra cantora, Ekaterina Samutsevich.

As três foram acusadas de “vandalismo” e incitação ao ódio religioso e condenadas a dois anos de prisão, mas Samutsevich foi libertada em outubro de 2012, enquanto suas duas companheiras se beneficiaram esta semana de uma ampla anistia concedida pelo Kremlin.

Em alusão aos membros da Cheka (Comissão extraordinária para a luta contra-revolucionária), a polícia secreta que precedeu a KGB soviética, Tolokonnikova acrescentou nesta sexta-feira: “Putin era um chekista fechado, apagado, com muitíssimos temores. Tem verdadeiro medo de muitas coisas”.

Ex-agente da KGB e alto funcionário sem grande expressão, Putin teve uma ascensão meteórica e se tornou o símbolo da volta da Rússia à estabilidade após o caos dos anos que se seguiram à queda da União Soviética (URSS) e ao fim do comunismo.

Nomeado em agosto de 1999 primeiro-ministro por Boris Yeltsin, um presidente desacreditado e arruinado pelo alcoolismo, em um país empobrecido e debilitado pela crise financeira de 1998, Putin consolidou seu poder em níveis nunca vistos desde a era soviética.

 

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