Barraco custa 15 pedras de crack na cracolândia em SP

Por george.ferreira

Barracos de madeira vendidos por R$ 150 ou 15 pedras de crack: essa é a realidade nas calçadas da Rua Helvétia e da Alameda Dino Bueno, na Luz, centro de São Paulo. Em conversa com a reportagem da BandNews FM, voluntários de um programa de recuperação de viciados que atuam na região diariamente confirmam esse comércio. “O cara queria vender ‘pra’ mim por 150 ‘conto’ [reais] uma barraca”.

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Reportagem denuncia comércio de barracos

O projeto de revitalização do bairro, formalizado ainda na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, em 2011, nunca saiu do papel. O governo do estado chegou a prever a utilização de um terreno da Secretaria da Cultura para construir um complexo cultural. Agora, as grades desse terreno servem de apoio para a construção dos barracos, como relata Dalva, moradora de um edifício na Praça Júlio Prestes. “Foram deixando e agora está difícil porque a gente fica esperando e não acontece nada e nós estamos aqui à mercê de quem? Deles. Eles mesmos falam assim na rua: ‘olha, a gente que manda, o pedaço é nosso’”. Mas Dalva está disposta a ganhar essa disputa. “Amo esse lugar. ‘É‘ eles que tem que sair”.

No dia 5 de dezembro, quatro ofícios assinados pelo Conselho de Segurança que atua no centro foram enviados para autoridades da cidade e do estado pedindo urgência para a solução do caso. Morador e comerciante da região há mais de três décadas, Cícero Barbosa, que gerencia um hotel na esquina da Dino Bueno com a Helvétia, desabafa: “Isso se chama covardia, botaram um monte de lixo na rua. Eu me sinto, assim, ofendido pelo que está acontecendo aqui nesse pedaço”. O prejuízo para outro negócio dele é ainda maior: “Você já imaginou o que que é um ser humano trabalhar com portas fechadas? Eu fazia uma média de 50, 60 mil [reais] bruto, ‘tô’ fazendo nem 5 mil num mês mais.

A estimativa é que pelo menos 300 pessoas ainda circulem nos barracos diariamente usando droga.

Na semana passada, o 77º Distrito Policial prendeu oito pessoas que atuam como biloqueiros, responsáveis pela venda direta do crack aos viciados.

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