Máfia do ISS: MPE descobre mais de R$ 72 mil na casa de fiscal

Por Tercio Braga
Ex-subsecretário da Receita Municipal, Ronilson Bezerra Rodrigues, é acusado de ser o líder de um desvio que pode chegar a R$ 500 milhões | Moacyr Lopes Junior/Folhapress Ex-subsecretário da Receita Municipal, Ronilson Bezerra Rodrigues, é acusado de ser o líder de um desvio que pode chegar a R$ 500 milhões | Moacyr Lopes Junior/Folhapress

O Ministério Público Estadual confirmou nesta quinta-feira que apreendeu um cofre em um apartamento no litoral paulista de propriedade de Ronilson Bezerra Rodrigues, auditor fiscal acusado de liderar a quadrilha que fraudava a cobrança o Imposto Sobre Serviços na capital paulista e cobrava propina de construtoras e incorporadoras.

O cofre faz parte do material apreendido no dia 30 de outubro, quando uma operação realizada pela Controladoria Geral do Município e do MPE desmantelou o grupo de quatro fiscais. A grande quantidade de documentos e pastas colhidas naquele dia, em endereços da capital, do litoral e nos Estados do Rio e de Minas Gerais, ainda está sendo aberta e analisada pelos promotores do caso.

Ao todo, segundo o MPE, foram descobertos R$ 72,7 mil em cédulas. O cofre foi aberto na presença do advogado de Ronilson.

Mais fiscais estão envolvidos, diz testemunha

Uma testemunha ouvida pelo Ministério Público Estadual, na tarde de quarta-feira, confirmou que outros onze servidores da Secretaria de Finanças da prefeitura de São Paulo eram beneficiários do esquema que fruadava a cobrança do (ISS) na cidade.

Um deles, segundo o depoimento, recebeu uma mesada de R$ 10 mil da máfia. Trata-se de Paula Sayuri Nagamati, auditora da pasta municipal e que já tinha sido ouvida pelo MPE na condição de testemunha. Paula, segundo a pessoa interrogada nesta quarta, teria recebido o dinheiro no ano de 2012, período em que ocupou a chefia de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças. O dinheiro seria para que ela abastecesse a quadrilha de informações sobre a pasta.

Força-tarefa é formalizada

O MPE e a Polícia Civil formalizaram o acordo de uma força-tarefa para analisar as novas provas recolhidas na investigação sobre a máfia composta por fiscais e construtoras que teria fraudado a cobrança ISS. “Agora poderemos contar com a Polícia Civil nessa análise”, afirmou o promotor Roberto Bodini.

É preciso destrinchar 410 obras civis suspeitas de terem sido beneficiadas pelo esquema, em um número ainda não determinado de incorporadoras envolvidas. Os empreendimentos estão listados em uma planilha que está no computador de Luis Alexandre Magalhães, um dos 4 auditores presos. Magalhães firmou acordo de delação premiada e está solto.

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