São Paulo registra onda de invasões de sem-teto

Por Tercio Braga
Ocupação embaixo da ponte Orestes Quércia, conhecida como “Estaiadinha”, na marginal Tietê | André Porto/Metro Ocupação embaixo da ponte Orestes Quércia, conhecida como “Estaiadinha”, na marginal Tietê | André Porto/Metro

Debaixo da ponte Orestes Quércia, também conhecida como “Estaiadinha”, em plena marginal Tietê, uma ocupação com cerca de 300 famílias é um dos sinais de uma onda de invasões de sem-teto registrada em São Paulo este ano.

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De acordo com a prefeitura, são pelo menos 90 áreas ocupadas. Do total, 36 são prédios localizados na região central da capital. São cerca de 2,8 mil famílias vivendo só nos edifícios.

E o número de ocupações vem aumentando. Metade delas ocorreu este ano, a maioria após o mês de julho, logo depois das manifestações contra o aumento da tarifa do transporte. O próprio Estado não sabe exatamente quantos terrenos seus estão ocupados na capital.

Segundo a PGE (Procuradoria Geral do Estado), 20 ações de reintegração de posse foram interpostas este ano, mas não há dados de quantas foram cumpridas.

Para tentar resolver o déficit habitacional, a prefeitura promete construir 55 mil moradias populares até 2016, mas o problema está longe de ser resolvido, já que o déficit é estimado em 230 mil unidades.

Com cerca de 300 famílias vivendo em barracos, área foi invadida em junho deste ano | André Porto/Metro Com cerca de 300 famílias vivendo em barracos, área foi invadida em junho deste ano | André Porto/Metro

Com isso, as tensões sociais vêm aumentando. Na última semana, cerca de 150 famílias foram removidas à força de dez terrenos da CDHU ocupados no Jardim Pantanal, na zona leste.

A Tropa de Choque da PM (Polícia Militar) precisou intervir depois que os moradores atearam fogo em pneus, interditando avenidas e a linha 12-Safira da CPTM.

O líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Bulhões, diz que o crescimento das invasões tem relação com o aumento do preço dos aluguéis. “Nas periferias a alta foi de três ou quatro vezes acima da inflação. As famílias não têm para onde ir”, afirma.

Segundo o secretário municipal de Relações Governamentais, João Antônio, entre os grupos também há aproveitadores. “Temos trabalhado para tentar atender a todos. Mas já identificamos quem cobra mensalidades de R$ 30 dos sem-teto para participarem das ocupações e ganharem casas.”

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