Pesquisas com beagles servia para desenvolver remédios

Por Tercio Braga
Ativistas resgatam cães da raça beagle do Instituto Royal, em São Roque, em São Paulo | Avener Prado/Folhapress Ativistas resgatam cães da raça beagle do Instituto Royal, em São Roque, em São Paulo | Avener Prado/Folhapress

Documentos aos quais o Jornal da Band teve acesso revelam as pesquisas que eram feitas com os cães beagle no instituto invadido e depredado no interior paulista. Mais da metade dos estudos destruídos era para descobrir novos medicamentos.

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Arrependida, uma das ativistas que furtou documentos do Instituto Royal decidiu devolver nesta terça-feira um pen drive onde estão detalhes das pesquisas. O material foi encaminhado para a polícia e já faz parte do inquérito.

Nos arquivos, relatórios de exames feitos com cães da raça beagle, coelhos e ratos. Os animais são chamados de “Sistemas-Teste”. Em um dos documentos , nove filhotes foram analisados. Eles receberam comprimidos, houve vômitos e tremores intensos. Depois de tratados, os animais, segundo o relatbandório, foram destinados à adoção.

Em outro, 14 beagles servem de cobaia. O medicamento foi misturado à ração úmida e, depois de 24 horas, os animais foram sacrificados para passar por uma análise da mucosa gástrica.

Um terceiro estudo detalha como os animais são mortos: uma anestesia profunda é seguida por uma injeção de cloreto de potássio – o método é o mais recomendado pelo conselho de controle de experimentação animal.

A invasão

Na última sexta-feira, o instituto em São Roque foi invadido por ativistas. Além dos 178 cães, foram furtados sete coelhos – que também eram submetidos a testes, como mostra outro documento obtido pela Band. No sábado, um protesto contra o uso de cobaias acabou em vandalismo.

A polícia disse que o material de pesquisa entregue hoje pelos ativistas será levado para o instituto de criminalística. O objetivo é avaliar se o Instituto Royal agia dentro das normas previstas em lei para pesquisas com cobaias.

Dos exames realizados no Instituto Royal entre 2006 e 2012, 62,3% são testes de produtos farmacêuticos, como por exemplo, para combater o câncer. Vinte por cento eram destinados à pesquisa e desenvolvimento de moléculas e 1,3% teve como o fim a avaliação de cosméticos.

Ontem o Insituto Royal afirmou que, se a polícia recapturar beagles furtados, vai tratar e colocar para adoção os cachorros. As pesquisas feitas com os animais – algumas com mais de dez anos de duração – foram perdidas. O laboratório disse que o prejuízo é incalculável para a ciência e a saúde brasileiras.

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