Brasil não tem como banir testes em animais, diz especialista

Por Tercio Braga
Ativistas resgatam cães da raça beagle do Instituto Royal, em São Roque, em São Paulo | Avener Prado/Folhapress Ativistas resgatam cães da raça beagle do Instituto Royal, em São Roque, em São Paulo | Avener Prado/Folhapress

O resgate de cerca de cem cachorros da raça beagle do Instituto Royal, em São Roque, no interior de São Paulo, motivou a discussão do uso de animais em testes entre entidades brasileiras. Os supostos maus-tratos sofridos pelos cães no local motivaram a invasão de ativistas e o furto dos bichos.

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O Brasil é um dos países que admitem, em sua legislação, o uso de animais em testes para produtos cosméticos e medicamentos. E, embora haja outros métodos para a realização de tais testes, o país não deve deixar de usá-los tão cedo.

Segundo o vice-presidente da ABC (Associação Brasileira de Cosmetologia), não há estrutura para a substituição completa dos métodos. “As empresas maiores, com mais recursos utilizam, quase que em sua totalidade, métodos alternativos, estudos in vitro. Mas, para as médias e pequenas empresas, dependendo da região do país, há uma grande dificuldade de se encontrar laboratórios com estrutura”, explica.

De acordo com Nunes, “pode ser que fique mais fácil encontrar uma empresa ou universidade com biotério e, neste contexto, os testes animais poderão ser priorizados”.

Órgãos científicos foram contra a atitude dos ativistas e classificaram como uma perda para o país o resgate dos beagles na última sexta-feira.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia acredita que os maus-tratos devem ser coibidos, mas também não concorda com a invasão. “Caso houvesse algum tipo de irregularidade, as autoridades competentes deveriam ser acionadas e elas deveriam tomar a decisão de advertir, multar ou até mesmo fechar o instituto, se fosse o caso. Mas as perdas dos estudos que estavam em andamento também impactam negativamente”.

De acordo com Nunes, a Associação é completamente contra a invasão que ocorreu e “espera que isso não ocorra mais em nenhum outro laboratório do país”.

Alternativas

A Associação de Cosmetologia defende e contribui, desde 2003, com a substituição dos testes em animais por testes in vitro. “Sempre tendo em vista a preservação da saúde e segurança dos voluntários e dos consumidores finais dos produtos”, explica Nunes.

Entre as técnicas que podem ser usadas estão as culturas celulares e a biotecnologia. “Em alguns casos já existem até pele reconstituída in vitro e também podemos utilizar córnea bovina ou ovos de galinha”.

Porém, o uso de animais ainda é o mais acessível. “Os estudos em animais admitem uma dinâmica toda similar porque estamos com um ser vivo, com um sistema imunológico e todas as características fisiológicas. Quando consegue-se superar estas dificuldades utilizando 1, 2 ou 3 métodos in vitro aí sim é possível eliminar o uso de animais, mas é um processo lento e complexo”, finaliza.

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