Protesto na USP pode mudar decisão da Justiça

Por talita
Os estudantes pedem democracia e eleições diretas para Reitor | Brazil Photo Press/Folhapress Os estudantes pedem democracia e eleições diretas para Reitor | Brazil Photo Press/Folhapress

O desembargador que deu prazo de 60 dias para que os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) deixassem o prédio da reitoria afirma que uma informação de vandalismo no edifício pode modificar a sentença. “Sobre o portão, do que está sendo feito hoje, é outra história. Cabe recurso”, disse, à Rádio Bandeirantes, José Luiz Germano, da 2ª Câmara de Direito Público do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Na resposta, ele se referiu ao bloqueio feito na entrada da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. “Fatos novos podem motivar decisões novas. Se chegasse a informação que eles estão usando picaretas para derrubar o prédio, pode haver uma nova decisão”.

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Germano apontou que, quando teve de decidir sobre a ocupação, não tinha conhecimento do fato. “Não moro na capital. Quando chegou a ação, eu nem sabia que a reitoria estava ocupada”. O desembargador, por meio de relatórios e fotografias, optou por um prazo de dois meses para que os estudantes desocupassem o prédio. “Coloquei, na minha decisão, que a USP dispõe de outros prédios e, no prazo de 60 dias, que para mim não parece exagerado, poderiam fazer os serviços provisoriamente em outro local. Vi que daria para a USP funcionar em outro local até que esses 60 dias passem”.

Segundo o desembargador, os dois meses também servem para que se gere “algum tipo de negociação”. “Mandei desocupar com um prazo para isso [diálogo entre as partes]. Considerei que a situação não era de emergência, de urgência, mas eletiva. Não estou defendendo a invasão”.

Pedido

“Exigimos que a USP abra negociação imediata para eleição direta para reitor. Até agora, a universidade não fez isso”, disse, à Rádio Bandeirantes, o estudante Pedro Serrano, diretor do DCE (Diretório Central dos Estudantes). “A gente acha que a universidade precisa de um debate aberto de ideias”, diz o aluno do curso de Ciências Sociais, de 22 anos.

Segundo Serrano, a manifestação acabaria assim que a reitoria se colocasse disposta a conversar sobre as propostas dos estudantes. “A tônica segue de nós buscarmos o diálogo com todo mundo, mas, infelizmente, somos sumariamente ignorados pela reitoria. O culpado[do protesto] é o reitor da USP. Há mais de 15 dias queremos negociar e o [reitor João Grandino] Rodas não nos atende. No momento em que a reitoria nos ligasse, acabaríamos imediatamente com o protesto. A reitoria não abre negociação com a gente. Nós achamos que não deveria acontecer isso hoje [protesto]. Se a reitoria ligasse, isso não aconteceria”.

Perguntado se não se sente prejudicado com a paralisação das aulas, o estudante disse: “Tudo o que eu queria nesse momento era estar dentro de uma biblioteca”.

Serrano volta a pedir diálogo com Rodas. “Os estudantes querem uma saída negociada dessa manifestação. A única maneira de se resolver essa situação é negociando”.

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