São Paulo pode ter mais crimes que o divulgado

Por Carolina Santos
Fernando Grella, secretário de segurança pública de São Paulo | Wilson Dias/ ABr Fernando Grella, secretário de segurança pública de São Paulo. Secretaria afirma que dados podem ser revistos | Wilson Dias/ ABr

Os índices de criminalidade em São Paulo podem ser maiores do que os divulgados pela SSP (Secretaria da Segurança Pública). Isso porque, hoje, as mortes consideradas “suspeitas” não aparecem nas estatísticas.

Dados obtidos pela BandNews FM revelam que, entre janeiro e agosto, 4.995 casos foram classificados como “morte suspeita” na capital paulista. No mesmo período, o total de homicídios foi de 1.150.

Uma portaria da SSP determina que seja dado o nome de “morte suspeita” apenas aos casos em que não há lesões aparentes, como tiros ou marcas de agressão. Além disso, quando não houver dúvida de que a morte foi provocada por outra pessoa ou pela própria vítima.

A BandNews FM teve acesso a boletins de ocorrência que demonstram não só a falta de investigação das ocorrências, como o flagrante desrespeito ao entendimento da própria secretaria.

No fim do mês passado, Maicon Felipe Callado, de 18 anos, foi morto por tiros disparados por um desconhecido em Poá, mas o caso foi registrado como morte suspeita. A tia dele, Zenaide Callado, garante que ele foi assassinado e o próprio boletim de ocorrência detalha que a vítima recebeu disparos de arma de fogo.

E não são só os homicídios dolosos – quando há intenção de matar – que ficam fora das estatísticas.

Em 22 de setembro, Luis Fernando da Silva, de 43 anos, foi atropelado por um ônibus quando andava de bicicleta pela avenida Inajar de Souza, na zona norte. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Em um primeiro momento, o caso foi registrado como “lesão corporal culposa”. Mas em um novo boletim, ele recebeu a classificação de “morte suspeita”, apesar de a polícia saber que a morte havia sido provocada por outro motorista.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública diz que monitora os casos de morte suspeita e que, se for identificada alguma inconsistência, o registro será refeito. Segundo a pasta, um levantamento feito no ano passado constatou que menos de 1% das ocorrências desse tipo eram homicídios.

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