Índice de criminalidade pode ser maior que o divulgado pela SSP

Por george.ferreira

Os índices de criminalidade em São Paulo podem ser muito maiores do que os divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública). Isso porque, hoje, o número de mortes consideradas “suspeitas”, que não aparecem nas estatísticas, é quatro vezes maior do que o de homicídios. Dados obtidos pelo repórter da BandNews FM Pablo Fernandez revelam que, entre janeiro e agosto, 4995 casos foram classificados como “morte suspeita” na capital paulista. No mesmo período, o total de homicídios foi de 1150. 

Uma portaria da SSP determina que seja dado o nome de morte suspeita apenas aos casos em que não há lesões aparentes, como tiros ou marcas de agressão. E ainda quando não houver dúvida de que a morte foi provocada por outra pessoa ou pela própria vítima.

A BandNews FM teve acesso a boletins de ocorrência, que demonstram não só a falta de investigação das ocorrências, como o flagrante desrespeito ao entendimento da própria Secretaria.

No fim do mês passado, o jovem Maicon Felipe Callado, de 18 anos, foi morto por tiros disparados por um desconhecido em Poá, mas o caso foi registrado como morte suspeita. A tia dele, Zenaide Callado, garanteque ele foi assassinado e o próprio boletim de ocorrência detalha que a vítima recebeu disparos de arma de fogo.

E não são só os homicídios dolosos – quando há intenção de matar – que ficam fora das estatísticas. Em 22 de setembro, Luis Fernando da Silva, de 43 anos, foi atropelado por um ônibus quando andava de bicicleta pela Avenida Inajar de Souza, na zona norte. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Em um primeiro momento, o caso foi registrado como “lesão corporal culposa”, mas no novo boletim ele recebeu o título de “morte suspeita”, mesmo se sabendo que ela havia sido provocada por outro motorista.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública diz que monitora os casos de morte suspeita e que, se for identificada alguma inconsistência, o registro será refeito. Segundo a pasta, um levantamento feito no ano passado constatou que menos de 1% das ocorrências desse tipo era homicídio.

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