Governo de São Paulo cria força-tarefa contra facção PCC

Por fabiosaraiva
Marcola (de branco) está preso em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo / Sérgio Lima/Folhapress Marcola (de branco) está preso em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo | Sérgio Lima/Folhapress

O governador Geraldo Alckmin se reuniu hoje (14) com a cúpula de segurança do estado para definir ações diante das denúncias do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) envolvendo a organização criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC). Alckmin anunciou a criação de uma equipe especial da corregedoria para investigar os casos de policiais ligados à facção e disse que apoia a remoção de detentos integrantes da organização para presídios do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

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O MP-SP denunciou 175 pessoas por participação no grupo criminoso que age dentro e fora das penitenciárias do estado. A denúncia, feita em 11 de setembro e divulgada na última sexta-feira (11), atribui aos acusados a prática de crime de formação de quadrilha armada para o tráfico de entorpecentes, crimes contra o patrimônio e contra a vida de agentes públicos, além da aquisição, posse e manutenção de armas de fogo. Os promotores pediram a prisão preventiva de todos os denunciados, mas a Justiça indeferiu a solicitação. O MP-SP recorreu da decisão.

Participaram da reunião no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, o comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, o delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck e o secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes.

Grella disse que recebe amanhã (15) o conteúdo das investigações do MP-SP para começar a tomar providências com relação aos policiais corruptos ligados à facção criminosa. O secretário informou não ter conhecimento sobre o número de policiais envolvidos com o crime, mas que, em 2013, foram mais de 100 homens afastados por práticas ilegais, somando policiais civil e militar.

Alckmin mostrou apoio do governo à transferência dos líderes do PCC para os presídios de segurança máxima, onde é praticado o temido RDD. “O governo tanto apoia, que o pedido foi da Secretaria de Administração Penitenciária. Nós fizemos as penitenciárias para líderes de facção criminosa”, declarou.

Segundo Grella, existem 33 pedidos de transferências para o RDD. Ele disse que, no caso de o pedido ser negado pela Justiça, o estado não cogita pedir transferência para presídios federais.

O governador destacou outras medidas para combater as ações do PCC, como a criação de uma força tarefa, que executará ações de inteligência entre as policias. Alckmin disse que até dezembro serão instalados, em 23 unidades prisionais, os bloqueadores de celulares. De acordo com ele, o processo de compra dos bloqueadores deve terminar em novembro e que, no final do ano, começa a instalação.

O governador informou que testes com os bloqueadores foram feitos com auxílio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), nos presídios de Pinheiros, Belém e Guarulhos. O que impedia a instalação dos aparelhos, disse o governador, era a falta de tecnologia. “Nunca teve tecnologia adequada, ou não bloqueava ou bloqueava o bairro inteiro”, declarou ele.

O comandante da PM informou que não pretende mudar a ação da polícia durante protestos, diante das denúncias de que o PCC esteja infiltrando criminosos nas manifestações de rua com o objetivo de atingir os policiais. “Não acredito que haja líderes infiltrados nas manifestações”, disse ele.

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