SP: PM voltará a usar balas de borracha contra black blocs

Por Carolina Santos
Oito agências bancárias foram atacadas | Ricardo Cardoso/Frame/Folhapress Oito agências bancárias foram atacadas | Ricardo Cardoso/Frame/Folhapress

Um dia depois de um protesto ter terminado mais uma vez em atos de vandalismo, o governo estadual decidiu endurecer a repressão policial contra grupos de mascarados (black blocs) que provocam depredações durante manifestações.

O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, afirmou nesta segunda-feira que a tropa de choque da PM (Polícia Militar) voltará a usar balas de borracha durante os atos na capital. O uso da munição especial havia sido suspenso em 17 de junho pelo próprio Grella, após ações da PM na capital deixarem dois jornalistas lesionados no olho durante um protesto.

Também será criada uma  força-tarefa, com a participação de promotores, para agilizar a conclusão das investigações relativas aos atos de vandalismo e agressões, inclusive as cometidas contra policiais.

“Esse grupo [força-tarefa] tem como missão impedir que uma minoria de baderneiros atrapalhe o livre direito democrático de manifestação”, disse Grella.

Onze manifestantes foram detidos nos atos da noite de anteontem, que terminaram com agências bancárias e lojas depredadas. Um carro da Polícia Civil foi virado pelos manifestantes. Os pilares do Masp também foram pichados. Na noite de ontem, só dois deles permaneciam detidos (leia abaixo).

A manifestação, que começou de forma pacífica, era em apoio aos protestos dos professores do Rio de Janeiro, que estão em greve.

Na manhã de ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) já havia dito que a ação do grupo de mascarados foi inaceitável e prometeu adotar medidas enérgicas. “Esse vandalismo extrapolou todos os limites. Afasta atos legítimos das famílias. É inaceitável”.

 

Dois detidos vão para presídio

Apenas 2 das 11 pessoas detidas no protesto de anteontem, continuam presas. De acordo com o delegado Luis Tuckumantel, o pintor Humberto Caporelli, de 24 anos, e sua namorada, Luana Bernardo Lopes, de 19, vão responder por infringir Lei de Segurança Nacional.

Promulgada em 1983 durante a ditadura militar, no governo do então presidente General João Figueiredo, ela define como crime “depredar, provocar explosão ou incendiar para manifestar inconformismo político ou manter organizações subversivas”. O advogado dos dois disse que eles não participaram das depredações.

Ontem, em uma página do Facebook, simpatizantes dos black blocs comemoravam os atos de depredação no centro.

 

Análise: ‘a multidão é contra essa violência’

 

Roberto Romano - Professor de Ética e Filosofia da Unicamp Roberto Romano – Professor de Ética e Filosofia da Unicamp

Esse grupo (black blocs) nasceu na década de 80, na Alemanha, em defesa de sem-teto despejados. É um movimento antigo que tem presença em toda a Europa. Eles não têm uma organização, se formam a partir de grupos autônomos. São como células, agindo com técnicas de guerrilha que foram comuns no Vietnã e durante a ditadura militar no Brasil.

A investigação policial é difícil, pois eles se multiplicam de forma independente. O recrutamento do grupo se dá por meio de redes sociais e contatos pessoais. O perfil é heterogêneo: há pobres, classe média e ricos misturados.

São contra os partidos políticos. Eles são os anarquistas de hoje, são herdeiros da democracia direta da Revolução Francesa.

Os black blocs são contra o capitalismo e acreditam que destruindo agências bancárias mostram à população quem são os culpados dos problemas que todos sofrem.

Os estudiosos desses grupos avaliam que há  uma dupla face nessas manifestações. A multidão é contra a essa violência. Com isso, a eficácia política acaba diluída, tirando a legitimidade das ações dos black blocs.

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