Sem provas, juiz libera suspeitos de queimar e matar dentista

Um álibi e a falta de provas fez com que os suspeitos de matarem o dentista Alexandre Peçanha, em maio deste ano, fossem soltos ontem, dia 1º. Eles foram liberados pelo juiz Marco César Vasconcelos e Sousa, da Vara de Infância e Juventude de São José dos Campos, no interior de São Paulo. “A única prova do inquérito policial foi a confissão de uma adolescente [de 15 anos]”, disse Sousa em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Três menores estavam detidos desde 13 de agosto suspeitos de participação no crime. Eles teriam invadido o consultório de Peçanha à procura de dinheiro. Como não encontraram, decidiram queimá-lo. O dentista teve 60% do corpo queimado e morreu depois de uma semana internado.

Nos depoimentos iniciais, a garota havia delatado que quatro pessoas estariam envolvidas no assalto que resultou na morte do dentista. “Depois, a adolescente se retratou e disse que foi ameaçada”, relata o juiz. O álibi usado pela defesa é que ela estaria com uma amiga na escola às 20h30. Esse foi o horário do relato dos vizinhos sobre o crime no consultório. A polícia chegou ao local às 20h50. “A diretora [da escola] deu a frequência escolar das duas adolescentes e elas comprovaram que ficaram lá até às 20h30”, aponta Sousa.

Além desse ponto, a investigação não conseguiu comprovar a presença da adolescente no local por imagens ou digitais. As falhas na coleta de provas, inclusive, foi um dos pontos que mais atrapalharam o trabalho de julgamento, segundo o juiz. “Provas digitais tinham que ser recolhidas de vários objetos; foram poucos. A coisa ficou difícil. A polícia devia ter prestado atenção e ter produzido outras provas periciais, e não ter ficado só com a declaração da adolescente”, conta Sousa, que lembra que “a única prova dos autos é a declaração da menor”. “A polícia fechou a investigação quando a adolescente admitiu [participação no crime]. Não foi atrás da diretora da escola. Foi uma surpresa quando apareceu o álibi”.

Para libertar os menores, o juiz diz que pôde considerar apenas as provas técnicas. “Vários outros detalhes acabam sendo levados em conta. Nada foi levado do local, veículo não foi encontrado e outras circunstâncias. Não é só o horário”. A decisão foi tomada de forma rápida, pois, como envolve menores, ela deve ser feita em até 45 dias. “Processo envolvendo menores é curto, 45 dias pra julgar”.

Família

A decisão do juiz foi um baque para a irmã do dentista, Cristiane Peçanha. Chorando, ela disse, à Rádio Bandeirantes, que o dia não estava sendo fácil. “A gente não esperava essa decisão da Justiça. Fui para São José dos Campos abrir consultório. Minha pergunta é por que falhou[a investigação]?”.

Para Cristiane, a família tem que acatar a decisão da Justiça, “não pode fazer nada mais do que isso”. “Estamos dependendo da lei para fazer justiça. Ele [juiz] fez uma decisão em cima dessas poucas provas. Temos que esperar a Justiça divina”.

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