Quênia: 71 pessoas ainda estão desaparecidas

Por Carolina Santos
Clientes deixam centro comercial no Quênia. Ataque de homens armados deixou dezenas de mortos na capital Nairóbi | Goran Tomasevic/Reuters Clientes deixam centro comercial no Quênia. Ataque de homens armados deixou dezenas de mortos na capital Nairóbi | Goran Tomasevic/Reuters

O Quênia inicia, nesta quarta-feira, o luto nacional de três dias após o ataque ao shopping de luxo Westgate de Nairóbi por um grupo islamita, que deixou pelo menos 67 mortos, e onde os serviços de resgate buscavam entre os escombros corpos e explosivos.

O registro de mortos deve aumentar. Ao menos 71 pessoas ainda estão desaparecidas, segundo a Cruz Vermelha. Além disso, pode haver outros estrangeiros que tiveram seus desaparecimentos registrados nas embaixadas de seus países.

Vários países, incluindo o Reino Unido, Estados Unidos, Israel, Alemanha e Canadá participam das investigações, indicou o ministro do Interior, Joseph Ole Lenku.

Durante o cerco, Israel, Estados Unidos e Reino Unido apoiaram as forças quenianas sem intervir diretamente.

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No local, socorristas e soldados, protegidos com máscaras e lenços, procuram possíveis novas vítimas.

Pelo menos 61 civis, seis membros das forças de segurança quenianas e cinco terroristas morreram no ataque iniciado sábado e que chegou ao fim na terça-feira à noite. 240 pessoas ficaram feridas, segundo um novo registro do Ministério da Saúde.

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Os radicais islâmicos shebab da Somália, ligados à Al-Qaeda, anunciaram no Twitter que 137 reféns tinham morrido na ação.

O presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e seu governo “devem ser considerados responsáveis pela perda das vidas de 137 reféns nas mãos dos mujahedines”, afirma a mensagem dos islamitas.

Eles também acusaram as forças quenianas de terem utilizado “gás químico” para acabar com o ataque e de terem “provocado o desabamento do edifício, para enterrar as provas e todos os reféns sob os escombros”.

Corpos em decomposição

Um soldado que havia entrado no shopping terça-feira, nas primeiras horas dos confrontos, contou ter visto “sangue por todos os lados”. “Os corpos estavam queimados e alguns, em decomposição”, afirmou.

“Os corpos que continuam no interior do centro comercial deverão ser identificados a partir de fotos”, considerou um membro da Cruz Vermelha. As identidades dos membros do grupo – de 10 a 15 pessoas segundo Nairóbi – e o que aconteceu a eles, continuam a ser grandes pontos de interrogação.

Logo após o início da crise, houve rumores sobre o envolvimento de combatentes estrangeiros, incluindo americanos e britânicos.

Segundo as autoridades quenianas, onze suspeitos do ataque foram detidos, incluindo um britânico.

“Podemos confirmar a detenção de um cidadão britânico em Nairóbi”, confirmou uma porta-voz do Foreign Office (Ministério das Relações Exteriores), antes de informar que existem conversas “para oferecer assistência consular de rotina”.

A porta-voz não informou se o detido é homem ou mulher. Fontes da diplomacia queniana afirmaram na terça-feira que havia uma cidadã britânica entre os terroristas, levando a entender que seria Samantha Lewthwaite, de 29 anos, filha de um militar britânico e viúva de um dos autores dos atentados de Londres em 2005.

Conhecida como “a viúva branca”, essa muçulmana convertida era casada com Germaine Lindsay, um dos quatro homens-bomba que atacaram a rede de transportes públicos de Londres em julho de 2005, em uma ação que matou 52 pessoas.

Na terça-feira, em um discurso na TV para anunciar o fim de um cerco de quase 80 horas, Kenyatta advertiu que o número de vítimas aumentaria, já que o teto do Westgate havia desabado parcialmente.

O presidente decretou três dias de luto e prometeu perseguir os criminosos.

Na manhã desta quarta-feira, as esquipes de resgate trabalhavam nas imediações do centro comercial destruído por tiros, explosões e incêndios.

Especialistas em explosivos auxiliados por robôs teleguiados inspecionavam o local para verificar se os islamistas não deixaram bombas na área.

Cães farejadores também auxiliavam nas buscas por bombas e corpos de de desaparecidos.

Desde que o Quênia lançou uma operação militar na Somália no final de 2011, o país recebeu várias ameaças de insurgentes. O Quênia também foi alvo de uma série de ataques, mas em escala muito menor e que nunca foram reivindicados diretamente pelos shebab.

Antes do ataque ao Westgate, os quenianos, ajudados há vários meses por muitas agências de segurança estrangeiras, inclusive o FBI, conseguiram frustrar várias tentativas de ataques.

Segundo autoridades americanas citadas pelo jornal The New York Times, o grupo islamita que atacou o centro comercial agiu de acordo com um plano detalhado, escondendo armas no local com antecedência.

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