"Não me sinto responsável", diz arquiteta de prédio que desabou

Por fabiosaraiva

A arquiteta Rosana de Januário Inácio, responsável pelo projeto do prédio que desabou nesta semana em São Paulo, não se sente culpada pelo acidente. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, ela disse que só entregou o plano de construção. “Projeto não tem cálculo. É uma intenção para fazer. E é a prefeitura que vai dar o aval se pode fazer. Esse projeto foi entregue à prefeitura”, disse a arquiteta.

Ouça também
Rosana: “Confiei numa pessoa que falou: ‘faz um projeto para mim’”

 

Ela esclareceu que o plano de construção havia sido elaborado por outra profissional, que não o havia terminado por um problema pessoal com o dono do terreno, Mostafa Abdallah, que teria lhe dito: “Você pode dar tranquilidade para mim, que não tenho condição de dar continuidade. E dei continuidade ao projeto, que tinha um pavimento”, contou Rosana.

A profissional conta que não tinha conhecimento da construção do edifício. “Eu soube no momento que [o proprietário] me falou que tinha uma multa”.

A arquiteta voltou a frisar que apenas terminou o projeto de uma colega. “Ela tinha feito tudo, tinha responsabilidade técnica dela”.

Após a tragédia, ela diz ter sido ingênua. “Eu devia ter falado não. Eu fiz o projeto. Só isso. Não vi que condições estavam. Só fui fazer a intenção do projeto. Eu falei para ele parar. Isso [construir sem alvará, apenas com o projeto] não é comum. Por isso falei para ele parar. Confiei numa pessoa que falou: ‘faz um projeto para mim’”, relata a arquiteta.

“Fico preocupada com as pessoas que faleceram. Mas, em projetos meus, isso nunca aconteceu”, fala Rosana, que recebeu R$ 2 mil pelo serviço.

Entenda o caso

Na manhã de terça-feira (27), um prédio em construção caiu na avenida Mateus Bei, na zona leste. O acidente matou dez pessoas e deixou outras 26 feridas.

Segundo as investigações, a obra estava em situação irregular. A subprefeitura de São Mateus já havia multado e embargado a construção, que continuou mesmo sem autorização.

Agora, a prefeitura investiga por que o fiscal responsável pela embargo não comunicou à polícia e ao MP que a obra continuava em andamento.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo