Bombeiros seguem na busca por dois operários em desabamento

Cerca de 20 viaturas do bombeiros foram ao local | Nacho Doce/ Reuters Cerca de 20 viaturas do bombeiros foram ao local | Nacho Doce/ Reuters

Um dia após o acidente, o Corpo de Bombeiros segue as buscas por mais dois operários nos escombros da obra que desabou na terça-feira (27) na zona leste de São Paulo. Durante a madrugada, o Corpo de Bombeiros retirou um oitavo corpo dos escombros do desabamento de um prédio em construção em São Mateus, na zona leste de São Paulo. A oitava vítima fatal foi localizada na noite de ontem com a ajuda de um dos operários da obra. O acidente aconteceu por volta das 8h30 de terça-feira na Avenida Mateo Bei.

Até o momento, 26 pessoas foram socorridas com vida aos hospitais da região e outras duas continuam desaparecidas.

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Entre os feridos, dois foram socorridos por populares. O Águia transportou outros dois, que se encontravam em estado grave. Equipes do SAMU ainda socorreram 17 pessoas. Os outros feridos foram removidos para unidades de emergência pelo Corpo de Bombeiros. Algumas vítimas foram atendidas ainda no local.

Ralison Teixeira da Silva, de 22 anos, e Francisco Diego Borges Vasconcelos, de 29, estão em estado grave e foram levados ao Hospital Santa Marcelina de Itaquera, onde permanecem internados. De acordo com os médicos, Francisco teve traumatismo craniano. Além deles, outras cinco vítimas foram levadas ao mesmo hospital: Érick Henrique da Silva, de 23 anos; Antônio Nilson Teixeira, de 31 anos; Rubens Moreno Feitosa, de 24 anos; Sílvio Rogério Rodrigues, de 28 anos; e Rubens Antônio de Oliveira, de 44 anos. Todos foram atendidos e receberam alta.

Outras três vítimas foram levadas para o Hospital Municipal do Tatuapé e, após receberem atendimento, foram liberadas. Dois feridos foram levados ao Hospital Estadual de Sapopemba. Um deles já recebeu alta e o outro continua em observação.

Três homens foram levados para o Hospital Municipal de Santo André, onde tiveram ferimentos leves e pequenas escoriações. Um deles foi liberado durante a tarde e dois estão em observação, mas permanecem estáveis.

Outros dois estão no Hospital Geral de São Mateus. Alcides Ferreira dos Santos passou por cirurgia e seu estado de saúde é estável. Já Sonivaldo Oliveira da Silva, foi hospitalizado no setor de ortopedia e também permanece estável.

Mais dois foram socorridos ao Hospital Municipal de Cidade Tiradentes e não há informações sobre estado de saúde.

Os corpos das pessoas que morreram estão sendo levados para o IML (Instituto Médico Legal) Central. Um deles foi identificado como o de Antônio Carlos Carneiro Muniz, de 37 anos. Ele estava em São Paulo há menos de 20 dias e veio com seu irmão – que saiu ileso do acidente – para trabalhar na obra.

A segunda vítima fatal é Felipe Pereira dos Santos, de 20 anos. Um tio e um primo do jovem também trabalhavam na obra e sobreviveram.

Ainda não há identificação dos outros seis corpos.

Prefeitura

Em nota, a prefeitura de São Paulo informou que obra estava em situação irregular. A assessoria da administração municipal disse que, independentemente da situação de alvará, a segurança da obra é de responsabilidade da construtora ou de engenheiro habilitado.

Em 13 de março, a subprefeitura de São Mateus emitiu um auto de intimação e um auto de multa, por falta de documentação no local da obra, no valor de R$ 1.159. Em 25 de março, a subprefeitura emitiu outra multa pelo não cumprimento da intimação anterior, no valor de R$ 103.500, e emitiu um auto de embargo.

Já em 10 de abril foi apresentado o pedido de Alvará de Aprovação de Edificação Nova na subprefeitura. O pedido de alvará de aprovação está em análise e foi apresentado recurso às multas. O responsável não apresentou pedido de Alvará de Execução e, portanto, a obra estava em irregular.

De acordo com o Código de Obras, a obra só poderia ter sido iniciada, mesmo sem resposta da subprefeitura, caso tivessem decorridos os prazos dos dois pedidos, ou do pedido conjunto, o que inclui os alvarás de aprovação e de execução. Ainda assim, a obra ficaria sob responsabilidade do proprietário e profissionais envolvidos e estaria sujeita a adequações ou até demolição.

A prefeitura afirma ainda que lamenta o ocorrido e está mobilizada para prestar todo o apoio necessário às vítimas e familiares por meio da Defesa Civil, CET e serviços de saúde. Ela também prestará todas as informações às autoridades competentes encarregadas de investigar as responsabilidades.

Loja
O prédio que desabou iria abrigar uma unidade da rede de lojas Torra Torra. Em nota, a empresa confirma que mantinha um contrato de locação com o proprietário do imóvel. No entanto, a ocupação do prédio somente se daria após o fim das obras estruturais, pelo proprietário.

A empresa de engenharia contratada pelo Torra Torra – Salvatta Engenharia – foi ao local para realizar os estudos sobre a estrutura, agindo no sentido de avaliar as condições de segurança e não procedendo nenhuma intervenção estrutural.

O fim da obra, pelo proprietário, mais o laudo da Salvatta Engenharia, avalizando as seguras condições da estrutura, eram os pré-requisitos para que o Torra Torra assumisse a finalização do prédio com o acabamento interior, para abrigar a nova loja.

O Magazine Torra Torra comunicou ainda que não houve entrega das chaves por parte dos proprietários, até porque a obra não estava concluída da forma prevista no contrato. Tão logo a Salvatta Engenharia finalizasse os estudos em curso, haveria uma reunião com o Magazine Torra Torra para apresentação do laudo técnico referente à segurança estrutural.

Caso esse laudo fosse negativo, a empresa promoveria a rescisão do contrato, visto que não poderia assumir um edifício com problemas estruturais para nele abrir uma loja.

O Ministério Público instaurou um inquérito para apurar as causas do acidente.

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