Propaganda, dinheiro e médicos

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeCerca de 400 médicos cubanos já chegaram. Serão 4 mil até o fim do ano. É muita gente vinda de um país pequeno, pobre e com 11 milhões de habitantes que também precisam de atendimento. Como explicar a liberação do governo cubano? Bondade, desprendimento e elevação espiritual da família Castro? Os motivos reais são, na verdade, propaganda e dinheiro. Cuba tem linha de produção de médicos. E eles geram boa imagem à ditadura e, principalmente, recursos ao governo.

O nazismo ensinou como manipular usando propaganda política. Goebbels, ministro de Hitler, afirmava que a boa propaganda deveria impregnar as pessoas de forma tão sincera e com tanta vitalidade, que elas se apaixonariam pela causa sem perceber. E jamais escapariam dela. Fidel Castro, o homem que cassou a liberdade de milhões, sabe disso. Lá dentro é na força. Fora é no marketing. Afinal de contas, como um homem preocupado com o bem estar e a saúde dos outros pode ser um homem mau? Isso explica por que os médicos cubanos desembarcam nos aeroportos brasileiros de jaleco branco. Por acaso estavam trabalhando? Claro que não. É a tal da propaganda já em vigor.

Desde que perdeu a mesada bilionária com o colapso da URSS, que doava muito dinheiro a pequenos países alinhados, Cuba nunca mais se aprumou. De lá para cá, o governo cubano conta os tostões, uma vez que a combalida e estatizada economia baseada em produtos primários e turismo não dá conta minimamente do recado. Os médicos formados nas inúmeras faculdades da ilha são enviados para outros países como commodities vivas, ou seja, mercadorias que rendem receita ao governo. Em Cuba, não ganham mais do que
R$ 100 mensais. No Brasil, nada receberão porque a bolsa integral de R$ 10 mil paga pelo governo federal vai para o governo cubano, que ficará com a maior fatia do bolo. Se cada médico receber apenas 30%, o que contratos assim preveem, ao final de três anos, Cuba terá recebido mais de R$ 1 bilhão do governo brasileiro.

A qualidade dos médicos cubanos é questionada no mundo todo. Fala-se que a maioria é desatualizada e limitada por falta de equipamentos e contato com o mundo exterior. Cuba está desconectada da pesquisa científica mundial há tempos. Mas isso não importa. A máquina cubana de fazer médicos é rentável. O Brasil é o cliente da hora.

 

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