Jorge Wilheim: ‘Restringir vagas de garagem é necessário’

Por Tercio Braga
Jorge Wilheim, 85 anos nasceu em Trieste, Itália. Migrou para o Brasil com 10 anos.   • Formação. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie. • Cargos ocupados. Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, presidente da Emplasa e Secretário de Planejamento da capital | Arquivo pessoal Jorge Wilheim, 85 anos nasceu em Trieste, Itália. Migrou para o Brasil com 10 anos.
• Formação. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie.
• Cargos ocupados. Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, presidente da Emplasa e Secretário de Planejamento da capital | Arquivo pessoal

Responsável pelo PDE (Plano Diretor Estratégico) de 2002, durante o governo Marta Suplicy, o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim avalia como positivas as  propostas apresentadas pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e afirma que as gestões José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) erraram ao não colocar em prática ações previstas no plano de 2002.

A cidade debate, agora, uma revisão do PDE. O texto aprovado há 11 anos vem sendo cumprido? 

O PDE é uma lei. Somos regidos por ele, o que é positivo. No entanto, as duas últimas gestões deixaram de regulamentar artigos importantes, que reduziram os efeitos do plano sobre a organização e o desenvolvimento da capital.

Qual sua avaliação da proposta de revisão do PDE apresentada na semana passada pelo prefeito?

As propostas são positivas. Seguem a linha de intenção do plano de 2002. E ele também deu um passo à frente à medida em que contempla o uso de instrumentos que não estavam previstos.

Em qual ponto é possível ver esse avanço?

Na decisão de enfatizar as zonas leste e norte, que serão foco de medidas positivas de curto de prazo.

Há alterações significativas quando se compara a proposta do prefeito Fernando Haddad com a de 2002?

São alterações que apontam para uma manutenção da diretrizes gerais e mudanças nas ações de curto de prazo. Com destaque para decisão de criar uma faixa de desenvolvimento no entorno das linhas de transporte.

Impor um número máximo de vagas de garagem é uma medida positiva?

Era uma medida necessária. Hoje, os edifícios, e isso vale para os residenciais de alto padrão, se tornaram polos geradores de tráfego. A mudança é importante para o futuro da mobilidade na capital, afinal o sistema viário não comporta mais o atual volume de veículos nas ruas.

O prefeito quer utilizar a venda de potencial de construção para garagens e, com esse recurso, financiar corredores de ônibus. A proposta é boa? 

Acredito que sim. Permite resolver o problema da falta de vagas, respeitando o limite máximo de construção, com o financiamento do transporte coletivo. Mas, eu seria mais radical.

Qual modelo adotaria?

Hoje, o construtor pode construir a garagem sem se preocupar com o tamanho, já que ela não conta na área total da edificação. Eu mudaria isso, fazendo ela contar. O que deixaria como alternativa reduzir o tamanho da construção, ter menos apartamentos, ou oferecer apartamentos menores.

É válida a desapropriação de imóveis abandonados em programas para oferta de moradia popular? 

Sim. É primordial para aproximação da moradia do local de trabalho. O prefeito Haddad está retomando essa ideia, abandonada nas gestões anteriores.

Levamento do Observatório da Metrópole coloca a Região Metropolitana de São Paulo em penúltimo lugar, numa lista de 15, quando se avalia a mobilidade urbana. É possível reverter isso? 

No caso da capital, o erro foi o abandono do Plano de Transporte de 2004, que previa uma nova função para os corredores e uma redistribuição das linhas de ônibus, aumentando a velocidade e atraindo mais passageiros. A prefeitura voltou a priorizar as empresas de ônibus, pagando subsídio por km rodado. Além disso, são 7 milhões de veículos.

A cidade perdeu com a demora na revisão do PDE?

Perdeu e muito. Foi uma inércia. Não foi aproveitado o que o plano oferecia, as medidas de curto prazo para urbanização. Isso não foi feito e, para piorar, Serra e Kassab tentaram acabar com o plano. Isso só não aconteceu porque mais de 100 entidades se mobilizaram contra a medida.

Houve algum avanço nesses últimos anos? 

Vejo que a única exceção foi na área ambiental. A Secretaria do Verde conseguiu casar a legislação vigente com as normas de adensamento previstas no plano.

Ainda é válido o uso das Operações Urbanas?

O conceito foi deturpado nas últimas décadas. No original, o foco era a melhoria de uma região. Hoje, o modelo só beneficia vereador na busca de votos e o mercado imobiliário.

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