Alunos de São Paulo voltarão a ter boletim e lição de casa

Por Carolina Santos

A prefeitura apresentou ontem um conjunto de medidas para a reforma do ensino municipal. Haverá possibilidade de reprovação em cinco das nove séries (3º, 6º ,7º, 8º e 9º) . Hoje, o aluno só pode ser retido em duas delas (4º e 9o)

“A chamada aprovação automática não estava dando certo, razão pela qual 38% das crianças chegam aos 10 anos sem ler e escrever”, afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT), citando dados da Prova Brasil.

Batizado de “Mais Educação São Paulo”, o programa também prevê a obrigatoriedade da lição de casa – hoje fica a critério de cada professor -, e possibilidade de recuperação nas férias – atualmente não existe.

Além disso, as notas irão de zero a dez, em vez dos conceitos utilizados hoje (plenamente satisfatório, satisfatório e não satisfatório). A grade curricular também terá mudanças.

Essas e as demais propostas (veja quadro ao lado) ficarão disponíveis para consulta e apresentação de sugestões e críticas na internet (maiseducacaosaopaulo.com.br) até o dia 15 de setembro. O novo programa já passará a valer no início do próximo ano letivo.

Especialistas afirmam que o fim da aprovação automática devolve o poder dos professores sobre os alunos, mas não garante melhora do ensino.

Além disso, os críticos citam o risco de aumento nos índices  de evasão escolar. A prefeitura diz que vai acompanhar os alunos com dificuldade (leia abaixo).

O novo plano prevê a construção de 367 novas unidades de ensino, sendo 20 CEU`s. A prefeitura também promete incluir 100 mil crianças no ensino integral até 2016 (hoje são 13 mil) e contratar mais professores.

A rede municipal possui cerca de 940 mil alunos, 84 mil professores e 2.722 escolas.

 

‘Nós vamos restaurar a autoridade do professor’

 

Após o anúncio das medidas, o secretário municipal de Educação, César Callegari, disse ao Metro que a reforma do ensino vai aumentar as exigências sobre os alunos. “Teremos uma cadeia de organização,  restaurando a autoridade do professor”.

Ele também rebateu as críticas de que a volta da reprovação e o aumento nas exigências pode aumentar a evasão escolar. “Não tenho medo de haver evasão escolar. Estamos preparados para avaliar os alunos sistematicamente. Vamos acompanhar quem tiver dificuldade de aprendizagem”.

De acordo com o secretário, a reforma é necessária para melhora o nível de aprendizado. “O que temos hoje é um mascaramento do fracasso escolar. Quando ele vai trabalhar, a vida vai cobrar esse déficit de aprendizagem”.

 

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