Policial morta denunciou PMs por roubo, afirma comandante

Por fabiosaraiva
Segundo a investigação, família foi morta no domingo | Reprodução/Facebook Andréia, que integrou grupo que denunciava PMs | Reprodução/Facebook

A policial militar Andréia Pesseghini, morta juntamente com sua família na zona norte de São Paulo, fez parte de um grupo que denunciou o envolvimento de colegas no roubo de bancos.

Wagner Dimas Alves Pereira, comandante do 18º Batalhão da PM-SP (Polícia Militar de São Paulo) – do qual a agente era integrante – confirmou a informação em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta quarta-feira.

Segundo Pereira, Andréia nunca disse que recebeu ameaças de morte. O comandante, porém, não confirma que ela tenha fornecido nomes de colegas atuantes em ações ilegais. “Quando digo que ela está em meio a um círculo de pessoas que confirmaram a situação, não quer dizer que ela, especificamente, denunciou e que possa ter sido ela quem falou”, afirmou Pereira.

A respeito dos acusados de participar de roubo a bancos, o comandante disse que eles foram afastados, mas não punidos. “Houve transferência, [gente] tirada do quadro do batalhão, escala alterada, [policial] colocado na parte administrativa”, apontou.

De acordo com o comandante, as investigações continuam, mas ainda não se chegou a uma conclusão sobre o envolvimento dos policiais em atividades ilícitas.

Quanto à hipótese de que o filho de Andréia tenha matado a família e na sequência cometido suicídio, o comandante diz não estar convencido.

“Eu estou aguardando uma sequência natural para entender que talvez não seja aquilo ali. Num primeiro instante, eu não estou confiante”.

Ouça a entrevista:

Vídeo

Imagens divulgadas nesta terça-feira pela Polícia Civil mostraram o momento em que o filho do casal, um menino de 13 anos, suspeito de matar a família, chega à escola em que estudava com o carro da mãe.

O vídeo foi registrado por uma câmera de segurança da rua. O garoto teria matado o pai, um sargento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar); a mãe, também uma policial militar; além da tia-avó e da avó por parte de mãe.

Um amigo reconheceu o colega de colégio ao ver a gravação, segundo a polícia. O garoto sai do veículo e se dirige para a escola. O menino estava com a mesma mochila que foi encontrada por policiais militares na casa da família, após o assassinato.

Escola

Investigações do DHPP (Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa) de São Paulo revelam que o menino de 13 anos, suspeito de ter matado os pais policiais militares, a avó e uma tia avó na zona norte de capital paulista, tenha ido à escola após o crime. Depois da aula, o garoto ganhou uma carona até sua casa, onde teria se suicidado.

“Tudo leva a crer, após análise de imagens nas proximidades do colégio, que o menino matou os familiares na noite do domingo e, na segunda-feira, foi de carro até o colégio”, afirmou o coronel Benedito Meira em entrevista à Rádio Bandeirantes. Segundo ele, trata-se de “uma tragédia familiar”.

O coronel afirmou, ainda, que “todas as pessoas morreram após serem baleadas com a mesma pistola – calibre 40 – que foi encontrada debaixo do garoto. O disparo que ele tomou na cabeça leva a crer que foi um suicídio”. “Em 32 anos de polícia nunca vi nada igual”, afirmou o coronel.

Um revólver também foi encontrado pela polícia na mochila do filho do casal de policiais militares.

O caso

Um sargento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), a mulher – também policial militar, a sogra, de 67 anos, a tia da esposa, de 55, e o filho de 13 anos foram encontrados mortos em duas casas de um mesmo terreno, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.

O crime, segundo investigações da polícia, teria ocorrido no domingo (4), mas só foi descoberto nesta segunda-feira. O filho do casal de PMs, que também morreu, teria sido o atirador. Depois do crime, ele teria ido à escola, voltado e se matado com um disparo na cabeça.

De acordo com o Comando da PM (Polícia Militar), o sargento da Rota deveria ter entrado no trabalho às 5h e a mulher dele, às 9h. A polícia foi encaminhada até a casa da Brasilândia depois que colegas do 18º Batalhão, da Freguesia do Ó, estranharam a falta da agente.

 

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