Veja o que dizem 3 diretoras de escola sobre a volta às aulas em outubro

Conversamos com as gestoras do Colégio Rio Branco, Colégio Equipe e Escola da Vila para saber como avaliam a decisão do prefeito de São Paulo sobre a reabertura em outubro para atividades opcionais

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Na semana passada, a prefeitura de São Paulo autorizou a reabertura das escolas públicas e privadas da capital paulista para atividades extracurriculares, a partir de 7 de outubro. A definição quanto ao retorno das aulas regulares, porém, foi adiada para o dia 3 de novembro.

Falta consenso em relação ao assunto. Enquanto pais e professores tendem a se mostrar contrários à volta às aulas, educadores, líderes de ONG’s que atuam na área de educaçãopediatras, entre outros especialistas, defendem que a volta é necessária.

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Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe / Divulgação

Para Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe, “é desejável que as escolas voltem a abrir e a gente aprenda a funcionar ainda com o vírus em circulação. A vacina, se sair, não vai ser todo mundo imediatamente imunizado. A gente vai ter que aprender a lidar com essa questão e se relacionar com segurança e respeitando os protocolos”, afirma.

A diretora avalia que o fato de as escolas estarem fechadas afeta inclusive o rendimento dos alunos no ensino a distancia. “Acho que a possibilidade de encontro e a troca ao vivo, mesmo que seja para atividade de recuperação, vai inclusive ressignificar esses aprendizados que estão sendo propostos de forma online, porque os alunos voltam e se vinculam de outro jeito com os projetos”.

“É desejável que as escolas voltem a abrir e a gente aprenda a funcionar ainda com o vírus em circulação”.(Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe)

Luciana conta que já em agosto o colégio decidiu que as atividades remotas seriam mantidas até dezembro. “Uma escola precisa de planejamento para trabalhar e como essa situação da pandemia estava muito incerta, com dados muito contraditórios sobre a questão da volta às aulas regulares – pesquisas que diziam que aumentava contágio, outras, não – optamos por fazer o trabalho online até o fim do ano”, declara a diretora.

Com a autorização da prefeitura para reabertura das escolas, porém, Luciana diz que a equipe gestora está avaliando a possibilidade de realizar atividades pontuais para pequenos grupos de alunos em horários alternados, uma delas a de recuperação.

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Cláudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco Cláudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco / Divulgação

No Colégio Rio Branco, que tem três unidades entre as cidades de São Paulo e Cotia,há previsão de realizar cursos livres, coletivos de alunos e projetos para atender às diferentes séries a partir de outubro.Cláudia Xavier, uma das diretora do colégio, diz que o ensino remoto se mostrou satisfatório, mas neste momento é essencial recomeçar, com atividades em pequenos grupos, “mantendo a segurança e proporcionando a convivência social e física – importante para a saúde mental de todos e para desenvolver atitudes de cuidado coletivo”. Cláudia afirma que o colégio contou com a consultoria do Hospital Sírio Libanês para elaborar protocolos de higiene e segurança para o retorno. "Temos condições de garantir os protocolos, portanto, não podemos mais adiar a reabertura das escolas, pois voltar é quebrar o distanciamento, romper a ‘bolha’ que vivemos e dar oportunidade para que aprendamos a conviver e viver com os novos hábitos de precaução”, declara a diretora.

“A volta às escolas proporciona a convivência social e física, que é importante para a saúde mental de todos e para desenvolver atitudes de cuidado coletivo”. (Cláudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco)

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Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila / Divulgação

Para Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila, era esperado que a decisão quanto à retomada das aulas regulares fosse adiada. “Poder reabrir agora com atividades extracurriculares é um caminho na valorização desse espaço público escolar”, disse.

A diretora contou estar “bastante preocupada e desejosa pela reabertura das escolas, com todos os protocolos de segurança definidos no plano do governo de São Paulo”. Ela considera que o retorno vai servir de parâmetro para avaliar o impacto da volta às aulas, trazendo mais dados do comportamento da pandemia com uma movimentação maior em torno da escola – ainda que não com todos os alunos.

 

“Poder reabrir agora com atividades extracurriculares é um caminho na valorização desse espaço público escolar”. (Fernanda Flores, diretora da Escola da Vila)

“Alguns estão precisando muito voltar e há outros receosos, com medo, que vão poder conversar com nossa equipe, conhecer os protocolos e viver a experiência dentro da escola – e dessa maneira começar um processo de confiança nesse espaço”, relata Fernanda. A escola conta com unidades no Morumbi, Butantã e Granja Viana e planeja realizar atividades de acolhimento, recreação, estudo e leitura compartilhada.

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