'Comportômetro' das crianças: é correto descontar da mesada a cada tarefa não cumprida?

Alguns especialistas acreditam que ao não cumprir as tarefas domésticas, a criança deve ter desconto na sua mesada, mas há quem discorde dessa prática

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Alguns especialistas defendem que os filhos devem sofrer reduções na mesada, caso não cumpram com suas responsabilidades diárias –   arrumar a cama ou ajudar a pôr a mesa do almoço, por exemplo. É o chamado "comportômetro", ferramenta de  gerenciamento das mesadas dos filhos. Para cada tarefa não realizadas, a criança recebe uma redução no valor da sua mesada ou semanada. Já se ela ofereceu ajudas extras, terá acréscimos nos valores combinados.

Para Carlos Eduardo Costa, especialista em educação financeira para crianças, de Belo Horizonte, essa prática pode ser um erro. "No processo de educar nossos filhos muitos aspectos devem ser observados. Uma das questões importantes é ensiná-los que muitas coisas precisam ser feitas, pois têm de ser feitas. Algumas tarefas devem ser realizadas pelos combinados de cada comunidade. E uma família é uma comunidade, com suas regras de convivência", afirma.

Ele explica que a mesada é uma ferramenta que tem como função principal permitir à criança lidar com alguns conceitos importantes para sua a vida financeira: escolhas de consumo para o seu dinheiro, definição de um orçamento e hábito da poupança. Ou seja, os objetivos estão limitados ao comportamento financeiro da criança.

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Vincular atividades cotidianas dos filhos, portanto, à mesada, pode trazer riscos. O primeiro deles é criar uma criança com espírito mercenário, que só faz as coisas se tiver uma recompensa financeira. "Ao punir ou recompensar financeiramente o filho em relação às suas obrigações domésticas, os pais podem passar a impressão de que todas as nossas tarefas são remuneradas. E muito do que fazemos em nossa vida não é pela remuneração e sim pelo bom convívio social", relata Carlos Eduardo.

Ele dá como exemplo a situação em que um menino tem de arrumar a sua cama. "Essa obrigação ele tem que fazer não para ganhar uma mesada maior ou menor, e sim para ajudar na organização da casa. Do contrário, podem estar surgindo crianças mercenárias, cujas ações são guiadas por recompensas materiais. E sabemos como esse comportamento poderá ser prejudicial no futuro deles", alerta o especialista.

O segundo risco é dar a possibilidade do filho, ao invés de arrumar seu quarto, por exemplo, preferir ter um desconto em sua mesada. "Quem então irá arrumar o quarto e cumprir o combinado dessa família?", questiona o especialista. Para ele, o descumprimento de tarefas deve ter punições de outro tipo. Deixar a criança sem poder utilizar o computador ou o telefone por algum período, por exemplo.

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