'Baby blues' e depressão pós-parto: veja sintomas que podem afetar a mãe

Dados mostram que entre 10% e 15% das mães podem apresentar depressão pós-parto – o que, neste cenário de pandemia, tende a ser ainda mais grave

Por Canguru News

Nos primeiros dias após o parto é comum a mulher passar por mudanças bruscas de humor, e apresentar de forma alternada sentimentos bons e ruins como solidão e tristeza e felicidade. É o chamado "baby blues", fruto da montanha-russa emocional causada pelas mudanças no padrão hormonal e pela grande responsabilidade que é cuidar de um recém-nascido. Há ainda a privação de sono que gera um cansaço extra na mãe.

Essas sensações que a maioria das mães experimenta, em maior ou menor grau, são normais e costumam durar cerca de 30 dias logo após o parto. Porém, dados mostram que entre 10% e 15% das mães podem evoluir para uma depressão pós-parto – o que, neste cenário de pandemia devido ao novo coronavírus, pode ser ainda mais grave.

"Estamos lidando com binômios mães-bebês que nasceram num mundo de máscaras e distanciamento social, sem os familiares por perto, causando um prejuízo significativo na rede de apoio que é fundamental nesse momento de tantas transformações – tão maravilhosas quanto dolorosas", afirma Talita Rizzini, coordenadora de pediatria do Hospital Leforte.

Ela lembra que mesmo que a mãe já tenha outros filhos, ao nascer um novo, ela também se torna uma "mãe recém-nascida", que merece portanto atenção e cuidados para que possa se dedicar ao bebê. "Momentos de descanso, de autocuidado e de conversa sobre essa avalanche de sentimentos devem ser incentivados", sugere a pediatra para reduzir, assim, as chances de prolongamento dos sintomas de "baby blues" e os riscos de uma possível depressão pós-parto.

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Sintomas de depressão que podem surgir na mãe de um recém-nascido:

  • irritabilidade
  • choro frequente
  • sentimentos de desamparo e desesperança,
  • falta de energia e motivação,
  • desinteresse sexual,
  • alterações alimentares e do sono,
  • sensação de ser incapaz de lidar com novas situações
  • queixas psicossomáticas (doenças causadas por problemas emocionais)
  • dores difusas sem causa orgânica aparente

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Atenção aos possíveis prejuízos ao bebê

Estudos científicos indicam que analisam aspectos do desenvolvimento infantil sob os cuidados de uma mãe deprimida e eles são convergentes em dizer que há prejuízo no desenvolvimento infantil tanto cognitivo quanto emocional e até mesmo físico.

Mães com depressão pós-parto tendem a ter filhos mais ansiosos e menos felizes, que são menos responsivos nas relações interpessoais e sua atenção é menor, quando comparados com as crianças de mães não-depressivas, constatou um estudo feito por Righetti em 2003. Essas crianças apresentam também menos sorrisos, menor interação corporal, além de maiores dificuldades alimentares e de sono. Perto de um ano, muitos desses bebês tiveram baixas pontuações em testes de desenvolvimento e altos níveis de apego inseguro com a mãe.

Nesse contexto, Talita destaca a importância do acompanhamento da criança pelo pediatra, "principalmente durante os meses de pandemia envolvendo o cuidado com toda a família, para tratamentos individualizados e acompanhamentos que possam reduzir o impacto negativo da quarentena".

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