Pandemia traz risco também para a visão

Por Jennifer Tisovec - Metro Jornal

A pandemia tem provocado problemas de todas as ordens e é bom ficar de olhos abertos para mais um: segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de pessoas míopes no Brasil pode crescer até 89% entre 2020 e 2050. E os hábitos adquiridos ou intensificados durante a quarentena têm papel importante nisso.

O ponto principal está relacionado ao abuso de telas digitais. Por passar muito tempo em casa, as pessoas têm a tendência de migrar de uma para a outra. Após o home office, usam o celular ou a televisão para descontrair.

Ao olhar fixamente para as telas, diminuímos de 20 para seis vezes o número de piscadas, além de fazer menos movimentos com o globo ocular. Isso causa irritação nos olhos, que ainda é agravada pelo clima frio e seco da época.

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Fundação Renova - agosto 2020

“O mundo todo ficou online. Quando ficamos muito tempo diante de uma tela, piscamos menos, produzimos menos lágrimas e o olho fica seco. Isso pode levar a problemas e visão”, afirmou Leôncio Queiroz, oftalmologista do Instituto Penido Burnier.

Essas horas ininterruptas de tecnologia podem provocar a chamada miopia acomodativa nas crianças, uma dificuldade temporária de enxergar a distância.

Um levantamento da secretaria de Saúde de Brasília  (DF) mostrou que os atendimentos em hospitais públicos de crianças com miopia aumentou 39% na pandemia.

Até os sete anos de idade, o olho ainda está em desenvolvimento e um esforço excessivo contrai a musculatura, o que prejudica a capacidade de focalizar a distância.

E a tela não é o único gatilho. A falta de exposição ao sol também é um fator prejudicial. Um estudo inglês com três mil adolescentes, mostrou que os que passam mais tempo ao ar livre têm prevalência 25% menor de miopia.

Essas dificuldades para enxergar podem provocar também outros problemas, como dor de cabeça, olhos secos e vista embaçada.

Minimizar esses efeitos, segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz, envolve dicas simples, como reduzir o brilho das telas do celular e do computador e aumentar o contraste, piscar com mais frequência, exercitar a visão mirando em pontos distantes e manter iluminação adequada nos ambientes.

Atividades ao ar livre também ajudam, principalmente entre as crianças. Em tempos de isolamento social, essa saidinha pode ser trocada por um banho de sol no quintal, varanda ou mesmo na janela, já que este libera dopamina, que previne a miopia.


Supervisão André Vieira

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