Ensino remoto e a educação infantil: limites e possibilidades

É grande o desafio de realizar atividades remotas com crianças de creches e pré-escolas. Incentivar a leitura de livros para (e com) a meninada pode ser uma boa

Por Canguru News

Enquanto esquentam as discussões sobre a reabertura das escolas, o ensino remoto, especialmente no caso da educação infantil, continua desafiando famílias, professores e, claro, meninos e meninas privados há meses do convívio escolar.

Nessa fase que vai do zero aos cinco anos de idade, as atividades escolares são focadas na socialização, na convivência e na interação que somente o estar junto é capaz de proporcionar. Por isso, educadores, pais, mães e qualquer um que seja responsável por crianças pequenas têm quebrado a cabeça para proporcionar algum tipo de atividade lúdica e instigante durante a pandemia. Jogos, brincadeiras e afazeres que não apenas entretenham as crianças, mas ajudem seu desenvolvimento afetivo, motor, cognitivo.

São propostas que buscam compensar, de alguma forma, a falta que a escola faz. "Ainda que de forma remota, há, sim, maneiras de despertar o interesse e de engajar as crianças",", afirma o jornalista especializado em educação Demétrio Weber. Ele dá como exemplo as lives (no caso de quem tem acesso à internet) que permitem ver e falar com os professores, cantar junto, ouvir histórias, fazer desfile de fantasia, desenhar, colorir, recortar e colar papéis.

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Mas o ensino remoto para as crianças pequenas (e as maiores também) tem suas limitações:

  • Alunos que falam com o microfone desligado, sem serem ouvidos − tal qual ocorre com muitos adultos;
  • A falta de formação dos professores, que estão tendo que aprender fazendo;
  • A necessidade de alguém disponível na casa para auxiliar na conexão à aula virtual e na execução das atividades, providenciando todo tipo de material, como papel, cola, tesoura, barbante, lápis de cor, canetinhas, revistas, embalagens, tubos, etc.

Weber cita ainda outras dificuldades como a curta duração das lives, que, muitas vezes, não passam de meia hora e o desafio de manter a atenção de crianças pequenas por muito mais tempo do que isso na frente de um computador ou de um celular. Sem falar nas famílias que não têm conexão à internet.

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Em webinário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em julho sobre os desafios da educação infantil, especialistas concordaram que essa etapa da educação básica enfrenta dificuldades para cumprir seus objetivos remotamente. E que as escolas devem trabalhar para manter o vínculo com as famílias, principais aliadas, ainda mais em tempos de pandemia.

"Entre muitas observações interessantes, ressalto o que disse o secretário da Educação de Suzano (SP), Leandro Bassini, que vale para famílias com ou sem internet. Entre as estratégias da rede municipal, ele destacou o incentivo à leitura. Sim, ler livros infantis com as crianças. Ótima dica", afirma Weber.

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