O dilema da reabertura das escolas e o papel do pediatra nesse cenário

O quadro é complexo e, mais ainda neste momento, a parceria entre saúde e educação se fará necessária

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

O novo vírus trouxe uma série de incertezas às famílias, interrompendo rotinas e planos estabelecidos para o ano de 2020 e impondo uma nova realidade à qual todos temos que nos adaptar. A dúvida paira em todos os aspectos da nossa vida atual e, no que diz respeito às crianças, o impacto que a pandemia está causando será medido ao longo dos próximos anos.

As taxas de internação e a mortalidade na faixa etária pediátrica se mantiveram baixas desde o período desde a identificação do novo vírus. E são raros os casos em que a doença se manifesta de forma grave. Mas o isolamento social, o esgotamento dos pais diante de tantas demandas a cuidar, a privação do contato com familiares, amigos e com a natureza, além de tantas outras mudanças que a quarentena impôs em casa, certamente deixarão marcas nessa geração.

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"Existem relatórios identificando e quantificando esse impacto: dependência excessiva dos pais, ansiedade e preocupação exagerada, problemas de sono, desconforto e agitação, desatenção, transtornos alimentares (com aumento ou diminuição do apetite), além de prejuízos na socialização e no desenvolvimento físico", afirma Talita Rizzini, coordenadora de pediatria do Hospital Leforte.

E como se fossem poucas as preocupações que andam tirando o sono dos pais, recentemente mais uma discussão se impôs: a volta às aulas. A presidente do Conselho Municipal de Educação da cidade de São Paulo, Rose Neubauer deu uma boa definição desse cenário: “Assim como há famílias querendo e precisando que os filhos retornem, há outras muito amedrontadas e elas não podem ser punidas”. Parecer do Conselho Nacional de Educação orienta as redes de ensino a que deixem as famílias optarem se mandam ou não as crianças à escola.

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"O que está sendo proposto é um retorno escolar gradual, mas de forma segura, para evitar efeitos adversos e surtos da doença nas instituições, com base em dados epidemiológicos e orientações das autoridades sanitárias competentes", destaca Rizzini. Ela lembra que será necessário uma grande reorganização das estruturas tradicionais dos órgãos públicos e privados, que devem formular seus protocolos de biossegurança, baseados em cinco eixos principais: distanciamento, higienização, comunicação, monitoramento e controle.

"Considerando-se as consequências da quarentena, a decisão de mandar os filhos para a escola, com oportunidade do retorno escolar gradual, parece o melhor a se fazer", acredita a pediatra.

Mas é mais que compreensível o medo e a insegurança diante de tantas incertezas e da quantidade de informação à qual se tem acesso. O quadro é complexo e, mais ainda neste momento, a parceria entre saúde e educação se fará necessária.

O que é seguro em termos de saúde pública pode não ser em termos de saúde individual, e uma avaliação do pediatra antes da tomar uma decisão pode ser fundamental nesse processo.

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