Terror noturno: saiba o que fazer se o seu filho tiver esse distúrbio

Esse comportamento costuma acontecer sempre no mesmo horário da noite e, apesar do nome, não tem a ver com os pesadelos ou sonhos ruins

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Quem tem filhos que já sofreram com o terror noturno deve conhecer a cena: de repente, a criança “acorda” aos gritos à noite, chorando forte e quando os pais chegam no quarto, a encontram agitada, parecendo estar em pânico, às vezes até sentada e realizando algum movimento típico, mas ela não responde às tentativas de acalmá-la. Na verdade, a criança não está acordada, mas dormindo em uma fase dita sono não-REM. Por isso, parece não responder aos pais.

"O terror noturno é uma parassonia, caracterizada por movimentos anormais e involuntários durante o sono. Ele é comum em crianças até os cinco anos de idade e tende a melhorar na adolescência, com o amadurecimento do sistema nervoso central", explica Talita rizzini, coordenadora da pediatria do Hospital Leforte.

Ela explica que esse comportamento costuma acontecer sempre perto do mesmo horário da noite e, apesar do nome, não tem a ver com os pesadelos ou sonhos ruins. Sem causas estabelecidas, sabe-se que a frequência e intensidade dos episódios podem piorar em dias muito agitados, fora da rotina da criança, com situações e vivências estressantes e até mesmo de grande empolgação.

Na grande maioria dos casos, não é necessário nenhum tratamento específico. Assim como o terror noturno, o despertar confusional e o sonambulismo também são parassonias benignas da infância. Abaixo, Talita Rizzini faz algumas recomendações para os pais quanto a como proceder durante a ocorrência desses episódios nas crianças.

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Como ajudar os filhos em situações como as de terror noturno e sonambulismo

1. Manter a calma: é comum os pais ou cuidadores ficarem mais assustados que a própria criança que, quando acorda, pode nem se lembrar do que estava fazendo e daí se assustar com o desespero de quem veio para ajudá-la. Vale lembrar que os episódios duram alguns minutos, e ainda que possam parecer eternos, eles param espontaneamente sem qualquer intervenção.

2. Garanta a segurança do seu filho: durante a crise, a criança pode sentar, levantar e apresentar outros movimentos que podem colocá-la em risco de acidentes. Atenção para altura da cama, objetos e móveis pontiagudos ou com quinas próximos ao colchão, tapetes e outros obstáculos. O quarto deve ser o mais seguro possível. Em caso de sonambulismo, mais atenção ainda deve ser dada à segurança de janelas, portas, sacadas e locais como a cozinha e área de serviço.

3. Mantenha rotinas e bons hábitos de sono: estabelecer um horário para dormir, com rituais de sono e relaxamento antes, contribui para a diminuição dos episódios. Evitar eletrônicos e o consumo de substâncias estimuladoras como doces em geral, guaraná e chás com cafeína no período da tarde e da noite também podem ajudar a reduzir as crises.

"O terror noturno e as outras parassonias benignas na infância, em geral, não têm a capacidade de prejudicar a qualidade do sono da criança e atrapalhar o rendimento das atividades diárias", destaca a pediatra. Por isso, diz ela, é fundamental observar o comportamento da criança durante o dia. Sonolência diurna, dificuldade escolar, ronco noturno, dificuldade para adormecer e sono entrecortado com despertares frequentes podem ser sintomas de outras patologias que devem ser investigadas.

Por fim, Rizzini ressalta a importância de manter as consultas pediátricas para avaliações de rotina, contemplando o sono como parte da atenção integral à criança e ao adolescente.

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