3 dicas para ajudar as crianças a usar as tecnologias com inteligência

Mais do que saber mexer em tecnologias, avalie se o seu filho está se desenvolvendo para lidar com elas de forma mais inteligente e complexa

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Se o mundo está cada vez mais tecnológico e as crianças e os adolescentes amam tecnologias, a ponto de as usarem cada vez mais cedo, por que os pais enfrentam tanta dificuldade para fazê-los entrar na rotina do ensino remoto?

A escritora e especialista em coaching parental, Jacqueline Vilela dá a seguir 3 lições que podem ser chave para essa resposta.

  1. Ter habilidades para mexer em celulares e computadores não significa ter autonomia digital

Muitos pais ficam surpresos e mesmo orgulhosos ao ver a velocidade com que os filhos manipulam os dispositivos eletrônicos. Mas será que eles sabem as tecnologias com consciência?

Desde o começo do período de isolamento social, os pais adotaram a postura de tomar a frente para aprender a baixar aplicativos de aulas online (como o Zoom por exemplo), entender sobre as plataformas digitais escolhidas pela escola, ajudar na rotina de enviar lições de casa online, provas, entre outras.

Se os filhos são tão tecnológicos, por que continuam dependendo tanto dos pais para executar essas tarefas?

Para filhos pequenos, é natural que os pais assumam o papel. Para pré-adolescentes e adolescentes, especialmente a partir do sexto ano, seria natural que eles tivessem autonomia para realizar a maioria dos comandos, sem ajuda diária dos pais.

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"A verdade é que nos fizeram acreditar que quanto mais tecnologias, mais inteligentes nossos filhos seriam. Mas isso não é verdade", diz Jacqueline.

Um estudo feito pela Universidade de Charleston indicou que os alunos da geração “digital” não sabem pesquisar de forma correta. Ou seja, as crianças aprendem a usar as tecnologias de forma superficial, apenas para joguinhos e entretenimento.

Os adolescentes, por exemplo, acabam aprendendo a usar o Google para pesquisas rápidas, sem se preocuparem com as fontes, fundamentos ou credibilidade.

Por isso, mais do que saber mexer em tecnologias, avalie se o seu filho está se desenvolvendo para lidar com elas de formas mais inteligentes e complexas, que lhe garantam a autonomia digital, e não apenas como um meio de se manter ocupado com assuntos supérfluos.

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  1. A Autonomia digital vem da autonomia da vida

A maturidade no uso das tecnologias vem do quanto a criança é estimulada a ter autonomia e pensamento crítico na sua vida pessoal.

Se os pais percebem que, nesse isolamento, o pré-adolescente ou o adolescente está muito dependente deles, é hora de repensar sobre novas formas de promover a autonomia do filho.

"Assim como a pandemia exigiu muito dos nossos filhos em termos emocionais, de paciência e cuidados, a vida trará outras demandas em outras situações, por isso, é importante refletir se a criança é capaz de responder a esse fator inesperado da forma mais autônoma possível", relata Jacqueline.

Ela diz que muitos pais abraçaram a causa das aulas remotas e participam das atividades, comentam no chat, interagem com os professores, batem a agenda de tarefas no grupo de Whatsapp e ajudam os filhos a fazerem as provas online. Porém, tirar dos filhos essa autonomia pode atrapalhar no seu desenvolvimento pessoal e tecnológico, diz a especialista.

  1. As tecnologias nunca vão substituir as relações pessoais

Nunca ficou tão evidente o quanto as relações pessoais são essenciais para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.

A pandemia promoveu um resgate forçado à convivência familiar, de uma forma diferente e inusitada. A falta dos amigos fez com que os pais passassem a se preocupar em estar mais presentes na vida dos filhos, suprindo essa interação externa da qual eles foram privados.

Jacqueline explica que as relações pessoais ativam os 07 sinais não verbais que estimulam o lado DIREITO DO CÉREBRO, associado à criatividade e intuição, e responsável pela interpretação “emocional” das situações:

Contato do Olhar – Aprender a olhar o outro é um dos exercícios mais profundos que nós podemos fazer.

Expressão do Rosto – É um sinal não verbal muito importante. Podemos interpretar o outro através de microexpressões.

Tom da voz – Um outro sinal não verbal que ajuda muito a avaliar a qualidade da conversa. Um tom de voz nervoso, preocupado, triste… São sinais extraordinários de uma comunicação.

Postura do Corpo – O corpo fala e cada postura pode dizer o quanto a pessoa está ou não interessada na conversa.

Gesticulação – Uma mão levantada, um braço cruzado. Principalmente na nossa cultura, gesticular faz parte da nossa comunicação.

Tempo – Esperar o outro falar. Esperar o seu momento de falar. Fazer uma pausa. O tempo de uma conversa é essencial.

Intensidade da Resposta – Como reagir à mensagem do outro. Esse é um treino essencial para habilidades sociais.

"Todos esses sinais não verbais são perdidos com as tecnologias. Só uma interação pessoal, o contato, abraço, olhar, voz e ritmo é capaz de ensinar aos nossos filhos a interpretar o outro", acredita Jacqueline.

E se há algo que a pandemia trouxe de positivo foi a possibilidade de resgatar o que realmente importa.

Alguns pais reclamam das questões técnicas, da falta de espaço em casa, da falta de computador ou dos métodos de aulas remotas da escola do seu filho. Outros, decidiram adotar o ritmo de férias, sem rotina.

"No entanto, mais do que ensinar as matérias, mais do que enfrentar as limitações técnicas, está o nosso papel em perceber o quanto os nossos filhos estão adquirindo gradativamente aptidões para a vida", diz a especialista.

Agora, se faz urgente, olhar para as nossas relações com as tecnologias e para a necessidade de uma nova forma de lidar com elas a partir de agora, para o bem das crianças.

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