Avós e netos: uma relação repleta de afeto

Mesmo sendo dois extremos da família, avós e netos têm a oportunidade de compartilhar saberes e ensinamentos que perduram por toda a vida

Por Ivana Moreira

O que Regina Casé, Zeca Pagodinho e Sidney Magal têm em comum? São todos avós apaixonados pelos netos, que não raro divulgam em suas redes sociais imagens junto aos pequenos familiares.

Quando Madalena, a neta do cantor Sidney Magal, nasceu, em dezembro do ano passado, ele escreveu em suas redes sociais: “A vida é realmente cheia de surpresas, do nada ela vem com um sopro de amor que invade nossos corações e faz com que os dias tenham um outro sentido. Ser pai de três é uma maravilha, mas ser avô é a cereja do bolo da vida, como li por aqui outro dia. Confesso que Madalena está me deixando daquele jeito que todo mundo que já é vovô/vovó bem sabe”.

O cantor criou para ela a hashtag #mechamaqueeuvovo, numa referência a uma de suas músicas mais famosas “Meu Chama que eu vou”. Juntos na quarentena, Sidney postou recentemente uma foto dando de comer à netinha. “Café da manhã com o vovô, não tem preço!! Dos privilégios da quarentena. Com criançada então, é uma alegria só.”

Sidney Magal dando de comer à netinha Reprodução do Instagram @sidneymagaloficial

De fato, poder fazer o isolamento social junto à família é um privilégio que pode favorecer a relação entre avós e netos. “Esse convívio intenso é maravilhoso, permite uma relação mais íntima que talvez até não existisse antes da pandemia”, explica a psicóloga Aline Saramago Sahione, membro da Doctoralia, no Rio de Janeiro.

O cantor e compositor Zeca Pagodinho também tem aproveitado a quarentena para curtir o neto Noah, de 10 anos. No seu perfil oficial no Instagram, uma foto mostra Zeca e Noah “ouvindo muito samba no vinil e fitas K7”, diz a legenda do post.

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Hoje, os dispositivos para ouvir música são mais modernos e para manejá-los, muitas vezes, os avós contam com a ajuda dos netos. “A gente vê crianças ensinando os adultos a mexer no celular ou num brinquedo com mais estímulos e isso é muito bom, pois pode ajudar os avós em aspectos como memória e a atenção”, relata Adriana Mikaelian dos Santos, do CAIS – Centro de Atenção Integral à Saúde do Grupo São Cristóvão, em São Paulo.

Por outro lado, as conversas e brincadeiras na relação entre avós e netos contribuem para a formação da identidade dos pequenos. “É comum a gente ouvir uma criança contando histórias aos amigos que ouviu do avô. São aprendizados diferentes daqueles dos pais, que estão mais preocupados em educar”, comenta Adriana. Ela diz que trata-se de uma relação rodeada de emoção e afeto “e mesmo sendo dois extremos da família, avós e netos têm a oportunidade de compartilhar saberes e ensinamentos que perduram por toda a vida”, completa a psicóloga.

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Conectados mesmo distantes

E se o isolamento social impôs a distância dos netos, o jeito é investir nas conversas virtuais. O psicanalista Ronaldo Coelho, de São Paulo, lembra que as crianças, por terem nascido na era da interação por telas, se adaptam mais rápido a esse tipo de relação virtual. “É importante que os avós saibam disso, pois muitas vezes eles projetam nos netos a angústia que sentem por estarem privados do contato físico. Deste modo, interações, brincadeiras e jogos por videochamadas podem ser um bom meio de manter e renovar os vínculos, mesmo que não substituam o contato físico”, diz Coelho. Caso os avós queiram se fazer presentes, eles podem enviar para a casa dos netos um presente ou uma lembrancinha e fazer uma videochamada para falarem sobre a chegada, sugere o psicanalista.
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Avós nem sempre 'estragam' os netos

E aquela história de que os pais educam e os avós deseducam, tem cabimento? Nem sempre. Há muitos avós hoje que apoiam os filhos na educação dos pequenos. Como a atriz Regina Casé, que já afirmou não ser contra a educação que sua filha Benedita dá ao neto Brás, de 3 anos. “Não sou do tipo de avó que deseduca, que dá doces escondidos, sou firme e brinco muito com ele. A gente tem uma caverna feita de cobertores, brinco que ali só tem os bichos que saem de noite, como morcegos, corujas e cobras e ele fala que vai colocar a zebra na caverna”, disse Regina à Revista Quem.

Para a psicóloga Aline, são vários os benefícios dessa relação com brincadeiras. “Os avós apresentam outros estímulos, outras formas de carinho e ensinam pela ludicidade, que é muito importante para o desenvolvimento das crianças”, diz ela. Inclusive, quando os pais são muito ocupados, por causa do trabalho e ou outros motivos, e têm menos disponibilidade, os avós entram para preencher esse espaço de estímulos que favoreçam o crescimento saudável dos netos.

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