Volta às aulas exigirá readaptação da escola e das famílias

A equipe gestora e docente terão de articular ações de acolhimento para os alunos, famílias e seus próprios colaboradores

Por Ivana Moreira

Muitas dúvidas têm surgido com o anúncio da retomada presencial das aulas nas escolas. Sentimentos como ansiedade, receio, expectativa e o medo sobre o contágio cercam alunos, professores e toda a comunidade escolar que já começa a pensar em como se dará esse retorno.

"Enquanto educadores, não podemos deixar de dar a devida atenção para esse momento, que será tão especial e, ao mesmo tempo, difícil de enfrentar, mesmo para aqueles que já dominam o espaço e o ambiente escolar. O distanciamento social nos marcou, isso é fato. Para
uns mais do que para outros", diz a pedagoga e ex-secretaria executiva do MEC, Iolene Lima.

Ela diz que as reações podem variar, tanto em relação às manifestações emocionais quanto ao tempo necessário para se efetivar a nova adaptação que, em situações rotineiras, duraria, aproximadamente, uma quinzena. É o tempo de adaptação, por exemplo, de quando as crianças voltam das férias de fim de ano, que duram em média 50 dias. O retorno precisa ser gradual e planejado; mesmo que os alunos já conheçam os espaços. Agora, há quase 150 dias longe do ambiente escolar, tanto a escola quanto as famílias poderão enfrentar transtornos durante o processo de readaptação. Em muitos casos, o vínculo foi extremamente afetado.

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No início do ano letivo, todos os alunos são novos em todas as séries, mesmo aqueles que frequentavam a escola. Para alguns, são muitas “novidades” para se adaptar, da sala ao professor incluindo novos colegas e livros. Há também novas expectativas de aprendizagem e de avaliação. "Entretanto, agora temos outros desafios, pois o ano e a turma são os mesmos. Mas o tempo, ah, o tempo…nos distanciou, 'abriu valas' em alguns casos", afirma Iolene.

As rotinas também serão afetadas com a retomada presencial das aulas. Sem abraços, beijos nem toque físico. No lugar de sorrisos, teremos máscaras."Um ambiente inédito poderá produzir também reações inéditas tanto de professores, quanto de alunos e famílias", diz a pedagoga.

Cabe às famílias acompanhar os protocolos instalados nas escolas – e estas têm o dever de implementar ações que garantam a segurança sanitária e visem minimizar riscos de transmissão da covid-19 a toda a comunidade.

A equipe gestora e docente terão de articular ações de acolhimento para os alunos, famílias e seus próprios colaboradores. "Não será uma adaptação. Teremos uma readaptação escolar e uma ressocialização, com novas rotinas de higiene, de distanciamento e de práticas escolares", relata a pedagoga.

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