55% das crianças comem enquanto assistem à TV, mostra estudo da Unifesp

Pesquisa investigou o perfil de atividade física e duração de sono de mais de 900 crianças, de 4 a 6 anos de idade

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

O tempo gasto com as telas – da televisão, do videogame ou do celular, por exemplo – pode prejudicar as horas de sono, acentuar a inatividade física e comprometer a capacidade motora das crianças. A afirmação é de pesquisa realizada pelo Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp).

O estudo também constatou que durante a pandemia o  uso da tecnologia infantil aumentou significativamente. Crianças que antes passavam, em média, 3 horas nas telas, agora as usam por quase 6 horas ou, talvez, mais tempo que isso.

"Os resultados são alarmantes. Mais de 55% das crianças avaliadas faziam as refeições em frente à televisão e 28% passavam longos períodos utilizando mídias de tela"afirma a coordenadora do estudo, Erika Felix, fisioterapeuta e doutoranda do Departamento de Psiquiatria da EPM/Unifesp. Ela também diz que crianças de até 11 anos devem realizar uma hora de atividade física por dia, usar as mídias de tela por no máximo duas horas e dormir de 9 a 11 horas por noite.

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A pesquisa entrevistou pais ou responsáveis de 926 crianças em idade pré-escolar (4 a 6 anos) para saber o perfil de atividade física e duração de sono que elas têm. As perguntas observaram dados como locais, horários e tipos das brincadeiras, percepções dos cuidadores sobre os níveis de atividade física das crianças, número de horas de sono durante a noite e o dia, uso da mídia de tela e alimentação enquanto assistia televisão (hábitos de tela) nos dias úteis e fins de semana.

As crianças também passaram por uma avaliação motora completa, com testes como manuseio de objetos, andar em linha reta, pular, ficar na ponta dos pés, imitar gestos, apresentar noções de direita/esquerda, repetir frases e reproduzir estímulos visuais e auditivos.

“Temos que fazer o que é prático e possível no momento para sobreviver, e isso inclui, também para as crianças, em ter mais tempo de tela. Mas a supervisão dos pais é de extrema importância, enfatizando que o tempo na tela não deve substituir a atividade física e o sono suficiente para todos”, relata Erika. A pesquisadora diz ainda que as descobertas feitas podem alertar os pais sobre as conseqüências do excesso de uso de tela e motivar os formuladores de políticas a incentivar esportes e outras estratégias de promoção da saúde.

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