Volta às aulas: escolas de elite de SP defendem ações por região e nível de ensino

A Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar) questiona o fato do "Plano de Retorno da Educação" do governo paulista não ser regionalizado nem ter ações diferenciadas por nível de ensino

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Colégios de elite em São Paulo, como o Pentágono, Dante Alighieri e Bandeirantes, se mostraram contrariados em relação às decisões apresentadas no "Plano de Retorno da Educação", divulgado na quarta-feira pelo governo do Estado de São Paulo, que prevê a volta às aulas presenciais no dia 8 de setembro com 35% dos alunos em sistema de rodízio. Em nota, a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), que representa 24 estabelecimentos de ensino na capital paulista, questionou o fato das medidas  não serem regionalizadas, nem levarem em conta as especificidades de cada região do Estado em relação à situação de contágio do novo coronavírus e condições de enfrentamento da doença.

Segundo a Abepar,a regionalização atenderia melhor as diferentes realidades das redes pública e privada de ensino. O órgão lembrou que o Plano São Paulo, do próprio governo paulista, já havia proposto a divisão do Estado em regiões de acordo com o estágio de cada uma em relação à pandemia "Considerar o Estado de São Paulo como um todo homogêneo pode prejudicar estudantes e famílias em regiões onde a pandemia estiver sob controle", afirmou a associação.

A Abepar disse acreditar que "tanto para a rede pública quanto para a particular, é possível preservar o respeito mais criterioso aos protocolos de saúde e às regras de distanciamento social oferecendo alternativas às famílias e aos alunos para uma volta segura e parcial às atividades letivas presenciais”.

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Ainda, outro aspecto levantado na nota diz respeito a não haver diferenciação por ciclo de ensino, já que o plano do governo prevê o retorno de todo mundo junto, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. Para a associação, a Educação Infantil deve ser priorizada já que muitas famílias, principalmente na rede pública, contam com o apoio das escolas para deixar os filhos enquanto trabalham. Além disso, há o risco de fechamento de escolas particulares desse segmento.

Escolas poderiam retomar aulas em agosto para acolhimento

Trabalhos de acolhimento socioemocional e a atividades avaliativas poderiam ser retomadas em agosto, segundo a Abepar. “As consequências da quarentena precisam ser superadas com gestos profundos de escuta ao aluno e à família, cuja situação emocional vem sendo duramente afetada nesses tempos”, disse o órgão que finaliza a carta reforçando a importância do diálogo das autoridades estaduais com a comunidade escolar.

Governo nega possibilidade de antecipar retorno na rede privada

O secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, negou a possibilidade das escolas particulares reabrirem antes de setembro. Em entrevista para a TV Globo, Rossieli disse disse que é preciso tomar cuidado para não aumentar diferenças entre sistemas de ensino. “Quando abrirmos, tem que ser para todos. Já temos desigualdades sociais, dificuldades enormes, não podemos abrir a escola para o filho do rico e não abrir a escola para o filho do pobre. Precisamos ter a compreensão para não aumentar ainda mais a desigualdade.”

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Sieeesp também contesta plano do governo

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) também disse não estar de acordo com as medidas anunciadas pela secretaria de educação estadual. “Nós não concordamos, usaram nosso nome, não fomos consultados para esse plano. Estamos preparados com certificações e anuência de renomados médicos e da Associação Paulista de Medicina”, declarou Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do sindicato.

O órgão publicou uma nota de repúdio ao anúncio do plano de retomada da educação em que afirma que as escolas particulares já estão prontas para retomar as aulas presenciais com 20% dos alunos em sala de aula, percentual menor do que o previsto no plano do governo, que é de 35%, adotando todos os procedimentos de segurança, higiene e saúde. “A escola particular não pode ser culpabilizada e nem ser refém do demorado tempo das redes públicas estaduais e municipais, que ainda não estão preparadas para promover a volta dos seus alunos à sala de aula", diz a nota.

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