3 dicas para falar sobre as questões LGBTI+ com as crianças

Questões LGBTI+ devem ser tratadas com naturalidade com os filhos, assim como quaisquer outras, de deficiência, gênero ou raça, por exemplo

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Seu filho já lhe perguntou o que é “ser gay”? Ao ver um casal homossexual se beijando, ele ficou confuso? Pode ser que sim. À medida que as crianças crescem, perguntas como essas podem surgir e os pais, muitas vezes, não sabem o que fazer. Em vez de conversar sobre as questões LGBTI+ (sigla que se refere a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros, intersexuais e outras orientações), os adultos, não raro, preferem evitar o assunto. É um erro, dizem educadores. É preciso responder com verdade (e naturalidade) –  independentemente de quais forem seus valores e suas crenças.

“O assunto deve ser tratado como qualquer outro da vida, como as questões de deficiência, gênero, raça e cor, por exemplo, sempre respeitando o contexto familiar, temas religiosos e os valores da sociedade”, declara Reinaldo Bulgarelli, educador e secretario executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. Ele explica que a criança terá entendimentos diferentes a depender de sua idade e o principal é que compreenda que o respeito ao outro é essencial.

Com que idade falar sobre isso, inclusive, é uma dúvida comum. O ideal é esperar que o tema surja naturalmente em casa – o que, em algum momento vai acontecer, já que na escola e em outros ambientes é certo que a criança conhecerá algum amigo cujos pais são gays ou lésbicas, por exemplo. Neste mês do orgulho LGBTI+, com várias campanhas em prol do respeito aos direitos desse grupo sendo veiculadas, é bem provável que notícias sobre o tema chamem a atenção das crianças e sirvam de oportunidade para conversar com elas sobre isso.

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Conversar sobre as questões LGBTI+ com os filhos faz com que sejam mais inclusivos

Para Geovani Nascimento, professor de educação infantil, a criança “enquanto ser humano e indivíduo da sociedade, precisa entender que existem pessoas diferentes dela, que possuem outro tipo de relação com o mundo”. Ele também ressalta a importância de tratar as questões LGBTI+ da mesma forma que outros conceitos, como os de ciência e matemática, por exemplo. “A criança que conversa sobre isso vai ser mais inclusiva e pode ajudar a diminuir o preconceito, a desumanização para com as pessoas LGBTI+ e mesmo as diversas violências que essas pessoas sofrem”, relata Giovani.

A seguir, reunimos 3 dicas para ajudar pais e cuidadores a falar sobre o assunto com seus filhos. As orientações foram elaboradas com a ajuda dos educadores e com base em informações da GLSEN, rede americana de advocacia sem fins lucrativos, focada na criação de escolas inclusivas à comunidade LGBTQ,

3 dicas para falar sobre questões LGBTI+ com as crianças

1. Mostre-se aberto a falar sobre o assunto em casa

Quando a criança levantar algum questionamento sobre o assunto, os pais devem responder naturalmente apenas ao que o filho perguntar. A orientação serve para qualquer criança, mesmo que não haja indicação de que ela possa vir a ser lésbica, gay, bissexual ou transgênera. “Você está enviando um sinal muito importante sendo aberto à conversa”, diz Eliza Byard, diretora executiva da GLSEN. Ela relata que, independentemente da orientação sexual da criança, os pais devem conscientizá-la para que não seja preconceituosa, mostrando-se dispostos a tratar o tema em família sempre que houver interesse. Eliza diz ainda que se os pais não conhecem algum termo ou conceito relacionado a esse universo – como lésbica, gay, bissexual, trans e queer, por exemplo – devem ser sinceros com os filhos e admitir que não sabem. “As conversas podem ser oportunidades maravilhosas para aprender com seus filhos”, afirma a diretora.

2. Use conceitos simples
Quem não tem intimidade com o universo LGBTI+ pode se sentir pouco à vontade de falar sobre isso com os filhos. Até porque o tema pode levantar também outras perguntas relacionadas à sexualidade. Ainda que isso possa ser um desafio para os pais, é importante explicar o assunto sem julgamentos. Aquele ditado que diz que "um livro não pode ser julgado pela capa" pode servir de exemplo para dizer por que não devemos julgar ninguém pela sua aparência, já que algumas pessoas podem parecer de uma maneira, mas se sentirem diferentes por dentro.

3. Fale sobre valores universais

Focar em valores universais, aproveitando datas como o Dia do Orgulho LGBT (28 de junho) ou a Parada LGBT (que costuma ser realizada no feriado Corpus Christi) pode funcionar como ponto de partida para conversar sobre o tema e deixar claro ao filho que o principal é ele ser capaz de assumir quem ele é, não importa quem ele seja. Para Eliza, ao ver os pais falando sobre o assunto como outro qualquer, os filhos se sentem mais à vontade para estender a conversa e ser quem eles quiserem. Essa é uma premissa válida  para situações diversas, por exemplo, o garoto que não gosta de jogar futebol ou a garota que é intimidada por gostar de ciência da computação.

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Veja aqui outras dicas para falar de questões LGBTI+ com os filhos.

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