Crianças pequenas ou adolescentes: quem priorizar na volta às aulas?

Especialistas concordam que o retorno tem ser gradual, mas falta consenso sobre com que nível de ensino recomeçar

Por Canguru News

Com a flexibilização das medidas de isolamento social em São Paulo, surge uma questão parece ainda não ter consenso entre educadores: quem deve voltar à escola primeiro – crianças pequenas ou adolescentes? Especialistas concordam que o retorno deva ser gradual e que medidas de segurança para evitar a transmissão do coronavírus devam ser adotadas, mas enquanto alguns defendem a educação infantil, outros acham que o retorno deveria se dar pelos ensinos fundamental e médio.

"Com o novo coronavírus à espreita, ninguém espera que meninos e meninas de 4 ou 5 anos sigam à risca as orientações de segurança, mantenham distância dos coleguinhas e permaneçam de máscara o tempo inteiro. Se é para garantir o cumprimento das regras de proteção, melhor optar pelos alunos das séries mais avançadas. Mas não é isso que tem ocorrido em todos os países", afirma Demétrio Weber, jornalista especializado na cobertura de educação.

Ele recorda que em webinário recente da Fundação Getúlio Vargas,  a representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, falou de experiências internacionais e contou que, em geral, as aulas têm recomeçado em áreas menos afetadas pela covid-19, em dias e horários alternados, com turmas reduzidas. A opção por uma etapa ou outra busca justamente reduzir os riscos de contágio.

Dinamarca e Noruega, por exemplo, começaram pelos pequenos primeiro. E o mesmo aconteceu em Madri, na Espanha, segundo contou  o diretor da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil, Raphael Callou durante o webinário.

Leia também: Volta às aulas na Dinamarca não leva a aumento de casos de Covid, diz estudo

Argumentos que pesam a favor das crianças pequenas

Entre os motivos que levam a priorizar a educação infantil (0 a 5 anos) estão o fato dos pais terem que sair para trabalhar e não terem com quem deixar as crianças. Além disso, estabelecimentos particulares têm pressionado para a reabertura, alegando que terão de fechar as portas de vez caso a quarentena se prolongue por muito mais tempo. Isso porque muitos pais têm tirado os filhos da escola e deixado de pagar as mensalidades . Ainda outro aspecto importante que pesa a favor das crianças pequenas é o fato de que nessa idade há muitas limitações para o ensino remoto.

A representante da Unesco chamou atenção para essa questão: crianças pequenas parecem menos propensas a participar das aulas online. Quem tem filhos pequenos sabe bem disso. Na escolas, as atividades infantis focam muito mais nas interações entre as crianças e brincadeiras em grupo, o que a distância não é possível.

Para tornar esses momentos mais produtivos, o Conselho Nacional de Educação (CNE) sugeriu às escolas estabelecer um canal de comunicação com pais ou responsáveis, para que os orientem sobre o que fazer no período sem aulas presenciais. O principal, segundo parecer do CNE, é promover brincadeiras, conversas, jogos e desenhos. E em vez do uso dos computadores, o documento propõe que creches e pré-escolas preparem material didático impresso ou que enviem áudios ou vídeos com orientações concretas para as famílias. Por exemplo: dicas sobre como ler textos em voz alta para engajar os filhos nas atividades de leitura.

"O período de isolamento é também de superação. A retomada das aulas presenciais dará oportunidade às escolas para recuperar o tempo perdido − e os sistemas de ensino já discutem como fazer isso. Por ora, professores, pais e alunos devem fazer o que for possível, da melhor maneira", ressalta Demétrio.

Leia também: Volta às aulas presenciais: data segue indefinida

Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter. É grátis!

Loading...
Revisa el siguiente artículo