Pandemia escancara necessidade de reformas na indústria da moda

Por Ansa

Após a emergência do novo coronavírus, o setor de moda questiona a necessidade de repensar os ritmos e as temporadas de desfiles. Nas últimas semanas, várias marcas, estilistas e diretores haviam comunicado horários e métodos de suas próximas apresentações.No entanto, algumas grifes, como a Chanel, não estão dispostas a desistir de seis desfiles anuais.

O italiano Giorgio Armani foi o primeiro a lidar com a dura realidade da mudança imposta pelo distanciamento social e, portanto, com a impossibilidade de organizar eventos para o público. A grife que leva o mesmo nome do estilista italiano sabiamente deu o ponta pé inicial aos desfiles "a portas fechadas", ao apresentar sua coleção em Milão, além de adiar o que ocorreria em abril, em Dubai, para novembro. Com isso, Armani soube que prefere um maior distanciamento de tempo e de número de suas coleções anuais.

Alessandro Michele, da Gucci, chegou à mesma conclusão. "Nos reuniremos apenas duas vezes por ano para compartilhar os capítulos de uma nova história. Serão capítulos desiguais, impertinentes e profundamente livres. Eles serão escritos através da mistura de regras e gêneros, de novos espaços, códigos de linguagem e plataformas de comunicação", escreveu o estilista em sua conta no Instagram.

Já a marca Valentino apresentará suas peças de alto costura em julho, além de fazer um desfile digital em Paris, em setembro. Enquanto isso, a Pitti Immagine adiou todos os eventos 'físicos' para homens e crianças para janeiro de 2021.

Milão, Paris e Londres anunciaram semanas de moda on-line, o último começa em 12 de junho. A Semana de Moda Alemã deixará Berlim e passará a ser realizada em Frankfurt, a partir do verão de 2021, como desejava o Grupo Premium, que desde 2007 organiza dois eventos por ano, no verão e no inverno.

"Mesmo aqui a semana de moda e seu formato terão que ser repensados", disse a chefe do Grupo Premium, Anita Tillmann. A apresentação do novo plano será realizada no outono.

A Chanel, porém, não renunciou ao seu número de desfiles anuais, e já transmitiu o vídeo de sua nova coleção Cruise. A grife confirmou sua agenda, incluindo seis desfiles de moda por ano, entre pré-coleções e alta costura. "Não sei se o número certo é dois ou seis, depende. Estamos à frente no cálculo do nosso impacto ambiental e, de tempos em tempos, estamos progredindo em nossa abordagem. Acreditamos que é importante fazer os desfiles, ainda precisamos ter liberdade criativa para nos expressar o tempo todo", afirmou o presidente Bruno Pavlovski.

A marca foi uma das primeiras a acreditar nos desfiles de pré-coleção, começando há 20 anos. "O desfile representa o início da história. O ritmo é marcado pela capacidade de entregar novos produtos às boutiques a cada dois meses e nos sentimos confortáveis com essa cadência. Cada coleção é bastante rápida e focada em um tópico, esse tipo de narrativa é desenvolvido seis vezes por ano", acrescentou Pavlovski.

A maison e sua diretora criativa Virginie Viardeles estavam trabalhando na coleção há meses, o que levou o desfile ter muita aprovação nas mídias sociais e poucas críticas ao ser apresentado em vídeo.

"Inicialmente, eu tinha Capri em mente, onde o show aconteceria, mas no final não aconteceu por causa do bloqueio. Então tivemos que nos adaptar: não apenas decidimos usar tecidos que já tínhamos feito, mas a coleção, de maneira mais geral, evoluiu para uma viagem ao Mediterrâneo: as ilhas, o cheiro de eucalipto, os tons rosados das buganvílias, um fascínio livre e descontraído, inspirado nas lendárias atrizes dos anos 60, quando passavam férias na Riviera Francesa e na França", finalizou.

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