Barulhos do dia a dia, como da TV e do videogame, podem prejudicar a audição

A exposição constante a ruídos intensos no dia a dia pode levar crianças e adolescentes à perda auditiva

Por Ivana Moreira

Segundo o Censo de 2010, mais de 9,7 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva. Desses, 2,3 milhões apresentam surdez de grau severo – cerca de um milhão de jovens até 19 anos.

O sentido da audição é desenvolvido pelo bebê desde o momento em que ele se encontra na barriga da mãe. No terceiro mês após a fecundação, ele já escuta os batimentos cardíacos dela, sua voz e alguns barulhos externos.

Ao nascer, após as primeiras 48 horas de vida, o bebê deve fazer o teste da orelhinha ou triagem auditiva neonatal –um exame obrigatório e assegurado por lei que detecta alterações congênitas que levam à perda auditiva. "O objetivo do diagnóstico precoce é realizar o tratamento adequado, pois o quanto antes essas alterações forem identificadas, maiores as chances de evitar atrasos no desenvolvimento infantil, visto que a audição é fundamental no processo de aprendizagem da fala", explica a médica Talita Rizzini, coordenadora da Pediatria do Hospital Leforte, de São Paulo.

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Atenção aos dispositivos usados em momentos de lazer para não ultrapassar volume recomendado

São várias as causas de perda auditiva na infância, como infecções (otites) de repetição, meningite e traumas. Mas a médica recorda que pouco se fala sobre proteger a audição contra os prejuízos da exposição constante a ruídos intensos.

A exposição a ruído ocupacional é um risco para perda auditiva e é um tema bastante estudado e submetido a legislação já consolidada. Mas, e o barulho do dia-a-dia e dos momentos de lazer?

Videogames, música no fone de ouvido,o desenho na televisão, o jogo de futebol e as famosas lives em redes sociais. "Já parou para observar a quantidade de tempo que sua família passa exposta a grandes quantidades de som?", pergunta Talita. Ela dá como exemplo os adolescentes, que passam o dia pela casa com seus fones de ouvido em alto volume.

Para se ter uma ideia da quantidade de som a qual estamos expostos, uma conversa normal representa em torno de 60dB (decibéis – medida de som) e sons acima de 85dB já são incômodos aos nossos ouvidos. A recomendação geral é que a exposição seja de no máximo a 75dB – medida que tem a capacidade de praticamente eliminar o risco de perda auditiva em 40 anos de exposição.

É fato que o barulho faz parte da diversão e, às vezes, não é fácil controlá-lo. Mas há alternativas: alguns aplicativos para smartphones medem o ruído do ambiente e podem ajudar a evitar que os ouvidos das crianças e adolescentes sejam prejudicados por quantidades de som indesejáveis.

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Além disso, a médica reforça algumas recomendações às quais os pais devem ficar atentos:

  • Preferir fones de ouvido em formato de concha e sempre em volume que uma pessoa ao lado não possa escutar.
  • Atentar para as certificações dos brinquedos das crianças, eles devem conter o selo do Inmetro.
  • Deixar o volume do som dos aparelhos eletrônicos a uma altura que as pessoas possam conversar tranquilamente sem gritar.
  • Em situações sociais, preferir locais longe das caixas de som.
  • Se necessário, protetores auriculares podem ser utilizados de maneira a evitar que o som alto cause dano.

Vale destacar que a perda auditiva na infância pode e deve ser prevenida tomando-se os cuidados devidos no dia a dia. "Nosso objetivo como pais e cuidadores é educar as crianças e adolescentes sobre a importância de proteger o sentido da audição para poder aproveitá-lo plenamente até o fim da vida", finaliza Talita.

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