Durante pandemia, é necessário adiar o tratamento para engravidar?

Especialistas explicam quais são as recomendações em relação a realização de tratamento para engravidar em meio à pandemia

Por Heloísa Scognamiglio - Canguru News

Em maio, atriz e apresentadora Karina Bacchi, que tem 43 anos, fez uma postagem no Instagram comentando sua decisão de adiar o tratamento para engravidar durante a pandemia do novo coronavírus. A postagem levantou dúvidas: os médicos recomendam que o tratamento para engravidar seja interrompido neste momento? Com a flexibilização da quarentena tendo início em várias partes do Brasil, há alguma mudança em relação às recomendações? 

Segundo nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), emitida em abril, o recomendado é que procedimentos de reprodução assistida sejam suspensos temporariamente. “A Anvisa ratifica o posicionamento das sociedades científicas – [Sociedade Brasileira de Reprodução Humana] e [Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida] – e orienta o adiamento de qualquer tratamento de Reprodução Humana Assistida até que a situação no país, relativa a pandemia de coronavírus, esteja controlada. Excetuam-se os casos oncológicos e outros em que o adiamento possa causar mais danos ao paciente”, diz a nota. 

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Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, explica que a orientação de adiar o tratamento para engravidar é para evitar uma eventual infecção pelo coronavírus da mulher que está realizando o procedimento. Em entrevista ao UOL, Claudia Gomes, ginecologista e obstetra, diz que o momento é de muita cautela. “A ciência ainda não tem o conhecimento necessário para afirmar que é totalmente seguro embarcar em uma gestação atualmente”, declara. 

No momento, não há indícios de que a mãe transmita a Covid-19 para o bebê durante a gravidez, nem de que a infecção pelo coronavírus possa causar malformações do feto. Mas casos de vírus no sêmen e de recém-nascidos com Covid-19 estão sendo estudados. É por todos esses fatores que o aconselhamento dos médicos é adiar o tratamento para engravidar até que a pandemia esteja controlada, ou seja, que a taxa de pessoas contaminadas pelo coronavírus diminua. No momento, mesmo com o início da flexibilização da quarentena em muitos lugares do Brasil, os números de casos confirmados da doença continuam aumentando no país. 

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Fernando Prado, também ginecologista e obstetra, diz que cada caso deve ser analisado individualmente. “Se for constatado pelos profissionais da saúde urgência em dar prosseguimento na tentativa de gravidez, uma vez que o adiamento poderia diminuir as chances ou impedir a gestação, as clínicas estão seguindo todas as recomendações para diminuir o risco de contágio durante o processo”, declara, também ao portal UOL. Mulheres acima de 38 anos, com reservas de óvulos muito baixas ou que farão um tratamento que pode prejudicar a ovulação, tal como o de câncer ou cirurgias uterinas, se encaixam na situação de urgência em dar prosseguimento no tratamento para engravidar. 

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