Crianças com Covid-19: o que a ciência sabe

Pesquisas mostram que crianças com Covid-19 são menos afetadas que adultos e idosos; síndrome inflamatória multissistêmica que tem ganhado atenção é rara

Por Heloísa Scognamiglio - Canguru News

Cientistas continuam estudando vários aspectos da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Em meio à pandemia, os pesquisadores se desdobram para descobrir tudo o que for possível para ajudar a lidar com o vírus, o mais rápido possível. Um dos assuntos mais estudados é como as crianças com Covid-19 são afetadas. Elas podem transmitir o coronavírus? Têm mesmo menos sintomas? Inúmeras pesquisas tentam responder. 

Muito tem se falado que os pequenos são menos infectados pelo coronavírus e que as crianças com Covid-19 parecem ter sintomas mais leves do que adultos e idosos (ou sintoma nenhum). Pesquisas apontam isso: entre os casos registrados no mundo, crianças representam apenas entre 1% e 5%, segundo a agência de saúde francesa Santé Publique France. O site pediátrico britânico Don’t Forget The Bubbles afirma que formas críticas da doença em crianças parecem ser muito raras (cerca de 1% do total), com poucas mortes. As informações são da agência de notícias AFP. No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou, na última sexta-feira (29), que a maior parte de crianças com Covid-19 no país evoluiu para a cura

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As crianças com Covid-19 também podem apresentar sintomas diferentes dos que atingem os adultos. Reportagem do Correio Braziliense afirma que uma pesquisa feita em Wuhan, na China, onde foram registrados os primeiros casos de infecção de seres humanos pelo novo coronavírus, apontou que crianças com Covid-19 apresentaram problemas gastrointestinais sem ter qualquer outro sintoma relacionado à doença. Os pesquisadores analisaram o quadro clínico de cinco crianças com Covid-19, sem sintomas respiratórios, internadas no Hospital Tongji. As descobertas foram apresentadas na última edição da revista especializada Frontiers in Pediatrics, mas o autor afirma que serão necessárias outras pesquisas para confirmar os resultados, uma vez que o grupo analisado não foi amplo.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), “crianças e adolescentes são tão suscetíveis à infecção quanto qualquer outra faixa etária”. Já outros especialistas discordam, acreditando que crianças e, em particular, menores de 10 anos, têm menos probabilidade de contrair a Covid-19 do que os adultos. Em relação à transmissão, também não há consenso. De acordo com a AFP, “é a grande incógnita”, pois há estudos com resultados conflitantes e muitas outras pesquisas em andamento. Na dúvida, as crianças são consideradas potenciais transmissoras (sintomáticas ou assintomáticas) da Covid-19 e devem seguir todos os cuidados, inclusive usar máscara para sair de casa – exceto menores de dois anos e outros grupos de risco para sufocamento. 

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Em relação à síndrome inflamatória aguda multissistêmica que está afetando crianças e adolescentes e pode ter alguma relação com o coronavírus, os médicos pedem calma: o quadro está recebendo muita atenção no momento por conta da pandemia de Covid-19, mas é raro e há poucos casos registrados no mundo. 

Primeiro, a síndrome havia sido registrada na Europa e na América do Norte e, agora, mais recentemente, foi registrada na Coreia do Sul. Como tudo o que é relacionado ao coronavírus gera interesse, os casos ganharam muita visibilidade. Mas o médico Jeffrey Burns, em entrevista à CNN americana, disse que isso ocorre porque consequências raras de infecções virais são vistas com mais frequência quando milhões estão infectados. Leia mais sobre a síndrome. 

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