Alienação parental tende a piorar durante confinamento

A quarentena pode ser um agravante para essa prática, já que a convivência com um dos genitores tende a ser mais intensa

Por Verônica Fraidenraich – Canguru News

Alienação parental é um expressão usada para se referir ao pai ou a mãe que cria o hábito de criticar o ex-parceiro e questionar o amor que ele sente pelo filho, a ponto deste se sentir rejeitado e se distanciar  dele. A prática é mais comum entre casais separados e, segundo especialistas, tornou-se mais frequente na quarentena, quando a convivência entre o filho e o pai ou mãe alienador/alienadora se intensifica. “O isolamento social é uma prato cheio para essa prática, porque entre aspas há mais motivos para interromper o contato entre a criança e o adulto que não é o responsável”, afirma Viviane Girardi, advogada especialista em família e sucessões, que é vice-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo.

Nessas situações é comum que a criança ou o adolescente ouça frases como “Seu pai/sua mãe não gosta de você, por isso não vem te ver”, “Ele/Ela não sabe cuidar bem de você”, “Ele/ela nunca tem tempo para você". E de tanto ouvir essas afirmações, o filho passa a acreditar nelas, achando que de fato não é amado pelo pai ou pela mãe e começa a não querer mais ver o outro genitor.

Juridicamente, essa situação é conhecida como a “síndrome da alienação parental”. “É o extremo da alienação, quando o alienador consegue fazer com que a criança apague da sua memória afetiva a figura do outro genitor. E, obviamente, o divórcio é o campo onde esses sintomas aparecem fortemente, porque as dificuldades de marido e mulher são transferidas para as funções de pai e mãe”, esclarece a advogada.

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Prática da alienação parental é mais comum entre as mães

No geral, são as mulheres quem mais praticam a alienação parental, por serem elas quem costumam ficar responsáveis pelos filhos. Mas além dos pais, outros cuidadores, como os avós, também podem exercer a alienação.

“Na grande maioria, o que a gente vê é que acabam sendo as mães as que mais exercem a alienação”, relata Viviane. Ela pondera, porém que os pais, por terem, muitas vezes, maior poder econômico, aproveitam a questão financeira para desqualificar a mãe.

Nesse cenário de críticas constantes ao ex-parceiro, a figura da mãe ou do pai vai perdendo valor para a criança, que passa a não ver mais com admiração o outro genitor e deixa de querer ter vínculo com ele.

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Prejuízos à saúde da criança

Pesquisas relacionadas ao assunto mostram que as crianças vítimas da alienação parental podem desenvolver sintomas como culpa, ansiedade, depressão, agressividade, medo e dificuldades de aprendizagem. Viviane ressalta que as crianças pequenas são as mais vulneráveis à síndrome, pela falta de estrutura emocional para lidar com a situação. “Elas não conseguem identificar o que está acontecendo e são o instrumento dessa revide, sendo usadas como forma de penalização do outro, sem se dar conta de que o grande penalizado é a própria criança”. A advogada explica que, primeiro, a criança sofre ao se sentir abandonada por um dos genitores, mas é comum que ao crescer ela reestabeleça o contato com esse genitor e ao conhecê-lo melhor pode até se afastar daquele que exerceu a alienação por se sentir traída.

O que fazer

Para quem está sendo vítima da alienação parental, a advogada orienta a procurar apoio de um psicólogo ou mesmo do poder judiciário, que possa orientar quanto ao que fazer para interromper as práticas abusivas. Para quem exerce a prática da alienação parental, fica o alerta de que existe o risco de ser penalizado com a perda da guarda do filho. Se algum familiar perceber isso e tiver influência sobre o alienador vale conversar com ele e orientá-lo de seus atos e consequências legais e principalmente à criança.

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Aspectos legais

Segundo a Lei 12.318, de 2010, “considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Veja os principais exemplos que caracterizam a prática da alienação parental

Quer identificar se alguma criança está sendo alvo de alienação parental? Confira alguns sinais:

» Campanha de desqualificação de um dos pais;

» Omissão de informações pessoais da criança, como não avisar sobre mudança de endereço;

» Omissão de informações da criança, como não avisar sobre visitas e passeios;

» Dificuldade de exercer autoridade de pai/mãe;

» Dificuldade de contato da criança ou do adolescente com um dos pais.

» Apresentação de falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;

Fonte: Lei 12.318 e Hope for Our Children, Toni Erickson, Assistente social

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