Qual a diferença entre depressão e ansiedade

Entenda um pouco mais sobre o que você pode estar sentindo para poder tratar com mais precisão os sintomas

Por Bruna Rafaele

Qual é a diferença entre depressão e ansiedade? Poucos sabem distinguir os sintomas de uma e de outra, até porque cada pessoa tem suas particularidades e apresenta diferentes reações.

A depressão é muito similar à tristeza, porque, em muitos casos, a pessoa fica apática e sem motivação para fazer atividades que gostava antes.

Já a ansiedade trava a pessoa, porque fica com medo de se colocar em situações que lhe davam prazer e do que pode acontecer de errado se for a lugares que gostava. Além disso, ela começa a duvidar da própria capacidade de executar suas tarefas.

A seguir, veja algumas diferenças entre o que sente quem está deprimido e quem sofre de ansiedade – sem descartar que uma pessoa tenha as duas doenças ao mesmo tempo.

Diferença entre depressão e ansiedade: entenda os efeitos

Depressão e ansiedade: sintomas emocionais

O corpo de quem está deprimido, em muitos casos, tem sinais de dor física e baixa imunidade. Mas problemas de imunidade também podem surgir em pessoas ansiosas, porque seu organismo vive acelerado mais do que o normal.

A tristeza profunda que acomete quem está com depressão, que pode surgir relacionada a algum acontecimento ruim na vida da pessoa ou sem nenhum motivo aparente, costuma ser acompanhada por mau humor e irritação.

Já a ansiedade pode ocasionar suor excessivo, aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, inquietação motora e uma enxurrada de pensamentos ao mesmo tempo, que resultam numa paralisação da pessoa por temer que algo ruim pode acontecer.

Essas sensações também geram sentimentos que atormentam, como frustração e sensação de incapacidade de fazer algo melhor do que sofrer.

Atualmente, não se descartam os fatores genéticos relacionados à Saúde Mental, mas o ritmo de vida que se leva é um dado extremamente importante, que se relaciona à qualidade de vida de qualquer pessoa – acometida por estas doenças ou não.

Sintomas no sono na depressão e na ansiedade

Geralmente, a pessoa deprimida sente maior necessidade de dormir e acorda sentindo que não descansou o suficiente.

Inclusive, pode sentir muita tristeza e irritação por ter de enfrentar mais um dia em que vai tentar fazer algo de bom. Mas sentirá que seu corpo e sua mente estão carregando muitas dores físicas e emocionais, que a limitam e não permitem que consiga executar suas tarefas habituais.

Existem pessoas deprimidas que também não conseguem dormir na hora em que precisam ter sono e começam a trocar o dia pela noite. Isto pode ser alerta de que a depressão pode ocorrer com a mesma pessoa que também sofre com a ansiedade.

Pessoas ansiosas geralmente têm muito mais dificuldade em dormir bem. Muitos relatam que têm sonhos que se parecem com momentos em que estão acordados.

Durante o sono, pensam muito sobre vários assuntos ao mesmo tempo e, ao acordar, se sentem extremamente cansados, porque sua mente não descansou como deveria.

Apesar da diferença entre depressão e ansiedade, as duas afetam a qualidade do sono de quem as têm. Inclusive uma pessoa que tem uma média, de 8 horas diárias de sono pode ficar sem dormir por dias ou dormir apenas 1 ou 2 horas por noite, o que só piora o seu quadro psíquico.

Quando se está com ansiedade, é muito comum também ter sonos agitados, se mexer muito na cama e acordar durante a noite para ir ao banheiro ou comer alguma coisa.

Efeitos no apetite

Geralmente, quem fica ansioso aumenta o apetite, principalmente por doces e carboidratos. Entretanto, tem pessoas que não sentem vontade de comer nada.

O apetite na depressão também varia para cada pessoa e, inclusive, uma mesma pessoa pode mudar seu hábito alimentar de acordo com a fase de sua vida, ora aumenta o apetite, ora sem fome.

Efeitos no convívio social

Sobre os tipos de pensamento, a pessoa deprimida tende a perceber que os outros lhe tratam de forma negativa, porque as rejeitam, as excluem de suas atividades em grupo ou simplesmente falam que é falta de força de vontade para fazer suas tarefas.

Estes são exemplos de como o contato social para quem passa pela depressão pode agravar seu quadro.

Além disso, sem a necessidade de alguém para lhe pôr mais para baixo, a pessoa deprimida já se sente muito debilitada e incapaz de cumprir com seus deveres.

Isso é provocado por perda de memória, não conseguir seguir sua linha de raciocínio, esquecer do que está falando, de objetos e de compromissos, porque sua mente está muito afetada pela doença.

Seus pensamentos sobre si e sobre sua maneira de se relacionar com os outros viram uma bola de neve. A pessoa sente que está vivendo uma outra vida, muito cinza e sem graça, em que a própria pessoa se rejeita.

Por falar em rejeição, quem está deprimido tende a se isolar para que os outros não percebam o quanto está sofrendo, bem como para não piorar seu sofrimento por conta de críticas e olhares alheios preconceituosos.

Já as pessoas ansiosas sentem que a sociedade aceita seus comportamentos como mais “normais” do que os das pessoas deprimidas ou acometidas por outras doenças mentais.

Porém, quando alguém tem crises de ansiedade, nem sempre é acolhido e pode surgir um preconceito mais nítido.

Infelizmente, quem tem Transtorno de Ansiedade Generalizada sofre muito mais preconceito, porque os outros não entendem como a pessoa expõe em seu corpo a tanto sofrimento que eles desconhecem.

Dor pelo passado/presente x dor pelo futuro

Quem sofre de ansiedade fica muito mais conectado ao que pode acontecer no futuro e com pensamentos geralmente muito ruins sobre o que pode dar errado.

Por isso, pessoas ansiosas começam a ficar um pouco mais esquivas de situações em que elas anteriormente sentiam grande prazer, pois o sofrimento antes do fato acontecer é muito maior do que qualquer prazer que possa vir a acontecer.

Já pessoas deprimidas podem sentir tristeza profunda com o que já aconteceu e está acontecendo em sua vida.

Elas não conseguem se conectar com algo de bom que possa vir a acontecer e, por isso, em muitos casos, perdem o interesse de ter novos projetos em sua vida.

Além disso, quando algo de bom acontece, a pessoa deprimida parece que perdeu o elo emocional que a fazia se conectar com a alegria dentro de si e com suas experiências. Com isso, não sente tanta alegria como sentiria antes da depressão.

Outros efeitos para você entender a diferença entre depressão e ansiedade

É muito comum tanto pessoas com depressão quanto as que têm ansiedade terem baixa autoestima. Isso porque se sentem muito estigmatizados pelos outros e também porque sentem que, se tiverem mais algum fracasso em suas vidas, talvez não consigam dar conta.

Sobre o desleixo com sua aparência, sua casa e outros objetos, é mais comum em casos de depressão. Mas nem todo mundo que passa pela depressão traz esse tipo de comportamento, como vemos casos de pessoas famosas que já assumiram sua luta para se tratar dessa doença.

As dores físicas também podem ocorrer com pessoas ansiosas, principalmente dores como tensão muscular na coluna e o bruxismo.

Sobre a irritabilidade, ela também pode ocorrer em pessoas ansiosas que não conseguem respeitar seu tempo para executar alguma tarefa e o tempo dos outros. Isso pode gerar muito mal entendido entre as pessoas.

Sobre o choro, é importante entender que quem sofre de depressão e ansiedade nem sempre chora muito.

Principalmente quem está deprimido, em muitos casos, não consegue exprimir seu grau de tristeza, nem de felicidade com facilidade. Por isso, podem parecer mais apáticos do que pessoas que choram por qualquer motivo.

Mas a instabilidade emocional na depressão pode, sim, ocasionar choro em alguns casos. Pessoas em crise de ansiedade em muitos casos tendem a chorar, mas também não é uma regra geral.

O que é preciso se atentar sobre a diferença entre depressão e ansiedade

Em muitos casos, o que ocorre é a ansiedade surgir antes da tristeza profunda, que é sinal de depressão.

Assim, quando é procurado um profissional da área da Saúde Mental, a pessoa não só está demonstrando sinais de ansiedade como sua mente já está desenvolvendo a depressão.

Por isso, ao menor dos sintomas de que algo está saindo fora do seu controle dentro de você, é importante buscar ajuda através da Psicanálise.

Há muitos casos em que apenas a análise semanal não consegue diminuir os sintomas da ansiedade e da depressão e então é muito importante recorrer a um psiquiatra para buscar por um suporte medicamentoso.

Se você estiver passando por algum dos sintomas descritos, pode contar comigo para te ajudar no seu processo de cura.

Não espere piorar seu quadro psíquico para se tratar e mesmo que atualmente seja muito comum pessoas ansiosas e deprimidas, não é fugindo de seu problema que ele vai se resolver.

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Bruna Rafaele

Psicanalista, especialista em Saúde Mental. Faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro e consultas online no Personare.

[email protected]

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