Psicóloga compartilha dicas sobre como sair de um relacionamento abusivo

Por Nathalia Marques

Neste exato momento, enquanto você lê esta matéria, uma mulher é agredida em algum lugar do Brasil. Seu choro e sua dor são, geralmente, silenciosos. É por isso que talvez você não saiba, mas podem ter mulheres ao seu redor que passam por isso.

Após você concluir a leitura, é possível que outra mulher também tenha sido vítima de agressão. A afirmação é baseada nos dados do Ministério da Saúde que destacam que, no Brasil, a cada quatro minutos uma mulher é agredida por ao menos um homem e sobrevive.

Em 2018, por exemplo, foram registrados mais de 145 mil casos de violência, entre os tipos mais frequentes se destacam: física, sexual, psicológica e outros tipos. Quando o assunto é discutido, é comum que o senso comum reproduza falas que culpem a mulher.

“Mas como ela permite isso?”

Quem reproduz esse discurso, geralmente, não compreende que a violência doméstica começa com “pequenos indícios”, como elevar o tom de voz, xingar, apertar, empurrar. “Há sempre uma desculpa depois. Ele pode dizer que estava nervoso, estressado, que o chefe brigou com ele. Há sempre uma desculpa que culpa terceiros”, explica Gislene Zillig, psicóloga do Diva na Praça.

A profissional ainda ressalta que o abuso emocional que pode gerar uma violência doméstica não vem de uma única vez. “Normalmente, o agressor é muito inteligente e manipulador. O perfil é de alguém muito sedutor, que agrada e que, inclusive, causa uma dependência para que a pessoa possa, cada vez mais, depender dele”.

O que ele faz?

Segundo a psicóloga, “ele elogia, mas é sempre conflituoso, pois é alguém que é muito bonzinho, mas tem alguns comportamentos inadequados e, de fato, agressivos e incoerentes. Contudo, é algo feito de uma maneira muito sutil”, enfatiza.

É possível que você tenha se identificado com alguns dos sinais. Diante disso, está se questionando “como sair de um relacionamento abusivo?”. Zillig compartilha algumas dicas. Confira!

1. Compartilhe sua história

A psicóloga explica que criar uma rede de apoio é fundamental. Por isso, recomenda que compartilhar a história com outras mulheres.

2. Denuncie

Zillig ressalta que a mulher, vítima de violência, denuncie o abusador. Ela pode fazer a denúncia por meio do 180, considerado o pronto-socorro dos direitos humanos, que funciona 24 horas por dia. Também pode realizar denúncia anônima por meio da 190, da Polícia Militar.

3. Crie defesas positivas

“Quando mais a mulher se conhece, se valoriza e tem outras fontes de prazer, o que costumo chamar de defesas positivas, há mais chances de não investir em um relacionamento destrutivo”, explica a psicóloga.

4. Desenvolva autoconhecimento

“Quanto maior a carência, a fragilidade e dependência dessa mulher, maior é a chance de atrair alguém fora do perfil desejável e merecido”. Sendo assim, Zillig recomenda a procura de ajuda profissional.

Mas ele não pode mudar?

A esperança que o agressor mude é algum comum entre mulheres que passam por violência doméstica. A psicóloga alerta para o risco de acreditar na tal mudança. “Não acredite que o tempo vai mudar ou que ele possa mudar quando casar ou ter filhos porque, verdadeiramente, não vai.

Ao contrário, a situação pode agravar. O ser humano só muda se profundamente desejar, se de fato se conscientizar. A porta abre do lado de dentro”. Por fim, a última recomendação da especialista, sobre como sair de um relacionamento abusivo, é que a mulher entenda que a culpa não é dela.  “Não há nada de errado contigo”, finaliza.

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