Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, é santuário para espécies em extinção

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal ABC

O Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, no Paraná, mudou para salvar seu bem mais precioso. Foram dois anos de reformulação para que o espaço, conhecido como parte do roteiro de quem visita as Cataratas do Iguaçu, se tornasse santuário de pássaros ameaçados de extinção. São 1.400 aves de 140 espécies diferentes, 90% delas nativas, sendo 120 em risco de deixar de existir.

Antes da reformulação, os visitantes tinham contato com 30% de pássaros considerados exóticos. “Claro que não abandonamos nossos amigos. As aves que não foram para instituições parceiras estão abrigadas em uma segunda propriedade que temos”, disse a diretora-geral da instituição, Carmel Croukamp.

O parque existe há 25 anos com a proposta de permitir que os visitantes tenham contato próximo com os pássaros em viveiros de imersão distribuídos em 16 hectares de mata. Uma oportunidade quase única de ver e fazer fotos ao lado de tucanos e araras, por exemplo. Carmel conta que o parque quer transformar os visitantes em aliados na preservação das aves. “Maioria do nosso público vive no domínio da Mata Atlântica. Trabalhamos na comunicação também para tentar causar emoção positiva para as pessoas quererem as aves por perto.”

Além do espaço a que o público tem acesso, o parque tem áreas voltadas a reprodução e recuperação de pássaros ameaçados de extinção. “Muitas espécies que chegam aqui não conseguem ser reintroduzidas na mata. É o caso das vítimas do tráfico. O mau trato é tanto que 9 em cada 10 morrem no transporte. Veja a escala de crueldade. Somos os únicos que podem receber muitas dessas espécies”, disse a diretora-geral.

Os visitantes que exploram o Parque das Aves têm contato com viveiros repletos de espécies como jacutingas e macucos. “São aves muito charmosas, que roubam os corações de todo mundo.” O final do passeio é coroado com o voo das araras vermelhas, cerca de 100 a espera dos visitantes.

Família estrangeira cuida do parque há 25 anos

A ideia de se criar um parque voltado apenas para aves é de Dennis Croukamp, pai da diretora-geral do Parque das Aves, Carmel Croukamp, nascido no Zimbábue. A família, que vivia na Namíbia, no sul da África, se apaixonou por um filhote de pássaro do Congo resgatado por eles. Mais tarde, Carmel conta que um amigo do pai contou da disposição de um terreno em Foz. “A África tem tradição forte de ecoturismo e minha família teve a ideia de trazer isso ao Brasil focando nos pássaros”, explica a diretora, que nasceu na Namíbia e é filha de mãe alemã. O pai morreu em 1996 e o parque passou a ser gerido pela mãe, Anna-Sophie Helene Croukamp, hoje com 72 anos. Aos 39 anos, é Carmel agora quem administra o espaço.

Carmel Croukamp Carmel Croukamp, diretora-geral da área verde / Divulgação

O Parque das Aves é mantido apenas com o valor do ingresso e dos produtos vendidos com a marca. Anualmente, a atração recebe cerca de 830 mil visitantes.


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