Queda do tabagismo no Brasil pode aumentar a longevidade

Por Pedro Nascimento, Metro Belo Horizonte

O número de fumantes no Brasil não para de cair. É só observar nas ruas para perceber uma mudança de hábito, seja pela força da lei, que hoje é muito mais restritiva, pelo aumento dos tributos ou pela consciência dos males causados pelo cigarro. Mas, embora o tabagismo ainda prevaleça em alguns grupos, a queda na quantidade de usuários tende a refletir na expectativa de vida dos brasileiros, segundo pesquisa da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Excluindo todas as causas de morte atribuídas ao tabagismo, o estudo projetou um ganho aproximado de 2,8 anos entre os homens e 0,3 entre as mulheres até 2030 por conta da queda no número de fumantes.

Para chegar a esse resultado – que deve ser comemorado, ainda mais hoje, o Dia Mundial sem Tabaco –,  o pesquisador Cristiano Sathler dos Reis analisou dados sobre as mortes causadas pelo tabaco, incluindo diversos tipos de câncer, doenças vasculares e pulmonares crônicas. “No país, as pesquisas sobre esse assunto são incipientes. Portanto, não há um dado específico que aponte o cigarro como causador da morte. Mas temos pesquisas que nos ajudam a montar uma base para avaliar as mortes e os benefícios para a vida da população brasileira sem o tabaco”, explica.

O estudo mostra que a prevalência do tabagismo entre os homens sempre foi superior. De 1980 a 2015, ocorreram mais de 6,5 milhões de mortes decorrentes do consumo do tabaco, sendo 4,7 milhões de homens e 1,8 milhão de mulheres no Brasil. A diferença no número de óbitos por sexo aponta que a iniciação das mulheres no tabagismo  é cerca de 15 anos após a dos homens. “Percebemos que as diferenças sociais influenciaram no atraso de iniciação das mulheres, que atingiram o pico de 35% na década de 80. Metade dos homens na década de 50 já fumava, alcançando o pico de 66,3% nos anos 70”, compara.

‘Reduzir imposto do cigarro seria um retrocesso’

Recentemente, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, anunciou a criação de grupo de estudos para avaliar a redução de impostos sobre os cigarros, para evitar o contrabando. Para o pesquisador Cristiano Sathler, essa medida tende a não vingar, pois o preço dos produtos é o maior responsável por afastar as pessoas do cigarro. “Seria um retrocesso. Mesmo com todos os impostos, o cigarro no Brasil ainda é um dos mais baratos do mundo, e as políticas públicas que trazem resultado são justamente as que elevam o preço.” 

Um vício, dezenas de sérias doenças

O cigarro é o responsável direto por cerca de 50 doenças conhecidas, dentre elas diversos tipos de câncer, bronquite, enfisema, pressão alta, infarto, AVC, impotência sexual entre outras. E os efeitos vão além das complicações desenvolvidas no longo prazo. “Um cigarro é suficiente para afetar a pressão sanguínea e a pulsação. É possível notar que o produto, de imediato, já é prejudicial, distorcendo inclusive sentidos como o olfato e o paladar. No longo prazo, os danos à saúde do usuário são irreparáveis”, explica a médica Marayra França.  

Eventos em SP

Campanhas de mobilização do Dia Nacional Sem Tabaco

• Estação AACD-Servidor, linha 5-Lilás. Das 10h às 16h. Ação terá enfermeiros para orientar a população.

• Estação Ana Rosa, linha 1-Azul. Das 9h às 15h. Cardiologistas farão exames da cavidade oral.

• Terminal Metropolitano São Mateus. Das 7h30 às 11h. Serão distribuídos folhetos sobre os malefícios do hábito de fumar.

Dia Mundial sem Tabaco Arte / Metro Jornal

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