Cresce número de sistemas invadidos por hackers; Brasil é o terceiro em golpes no mundo

Por Metro Jornal com Band

Um hospital parado por conta de ataque de hackers parecia obra de ficção quando apresentada em episódio do seriado “Grey’s Anatomy” em 2017. Mas naquele mesmo ano, o drama se tornou realidade no hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo. A unidade de saúde precisou cancelar 3.000 consultas e exames depois que piratas virtuais invadiram  seu sistema e exigiram US$ 300 em bitcoins, uma espécie de moeda virtual, para cada um dos 1.000 computadores infectados.

O hospital foi um dos cerca de 230 mil sistemas atacados em 2017 por ransomwares, softwares nocivos que sequestram o sistema.

Desde lá, o crime cibernético vem ganhando território no Brasil. O número de empresas que afirmam ter passado por ataques de hackers passou de 25%, em 2017, para 34,71%, no ano passado. O dado faz parte da pesquisa “Cyber View 2019”, realizada pela seguradora JLT com 196 empresas de médio e grande porte.

O país já aparece como o terceiro que mais sofre com o problema em relatório global da Symantec, concentrando 9,8% dos casos no mundo. O Brasil ficou atrás apenas de China (24%) e Estados Unidos (10,1%) no ano passado.

hackers pelo mundo

A especialista em riscos cibernéticos da Marsh/JLT, Marta Helena Schuh, diz que as empresas conhecem o problema, mas a maioria acredita que não será vítima. A pesquisa mostra que 46,3% das entrevistadas não consideram prioritária a segurança contra ataques cibernéticos, apesar de 55,4% afirmar ter 100% de dependência do uso de tecnologia. “Hoje as empresas não estão preparadas. Elas investem na melhoria da tecnologia do uso, mas não na segurança”, afirma.

O setor de saúde é o mais vulnerável a ataques cibernéticos no mundo, com 27% das empresas relatando ataques nos últimos 12 meses. Em segundo lugar estão as instituições financeiras (20%) e, em terceiro, as empresas de comunicações, mídia e setor de tecnologia (14%).

Você pode estar na mira

Mas não são só as empresas que podem ser vítimas de ataques cibernéticos. Na quinta-feira, o WhatsApp pediu que seus 1,5 bilhão de usuários atualizassem o aplicativo de mensagens após hackers conseguirem instalar um software com sistema de vigilância remoto em celulares.

Relatório da empresa de antivírus Norton divulgado no início do ano sobre Segurança Cibernética mostra que mais de 1 bilhão de seus clientes já foram vítimas de crime virtual, 800 milhões apenas no ano passado. No Brasil, foram 70 milhões de pessoas em 2018, número que deixa o país atrás apenas da China (526 milhões) e dos Estados Unidos (105 milhões).

Entenda os termos

  • Hacker
    É uma pessoa com grande conhecimento de programas e sistemas de computação. O dicionário da Academia Brasileira de Letras diz que eles violam programas e sistemas. Mas profissionais de tecnologia usam o termo cracker para os hackers que invadem sistemas
  • Bitcoins
    Moeda totalmente virtual, descentralizada e que não necessita de terceiros para funcionar, como no caso do Real, por exemplo. Um bitcoin equivale a US$ 7.917, cerca de R$ 31.668 na cotação atual
  • Ransomwares
    Software que restringe o acesso ao sistema do computador e pede que resgate seja pago para que a restrição seja removida

Como se proteger contra o crime cibernético

  • Tenha um pacote de segurança para seu computador, que tenha antivírus, firewall (monitora o que entra e sai de sua máquina) e antispyware (para detectar e remover adwares e spywares)
  • Tenha senhas fortes, não as repita em sites diferentes e faça mudanças regularmente
  • Mantenha todo software atualizado
  • Gerencie as suas configurações de mídias sociais para manter a maior parte das suas informações pessoais e privadas bloqueadas
  • Proteja sua rede doméstica com uma senha de criptografia forte
  • Converse com seus filhos sobre o uso aceitável da internet
  • Mantenha-se atualizado sobre as grandes violações de segurança
  • Caso acredite que tenha sido vítima de um crime cibernético, alerte a polícia local e, em alguns casos, a Polícia Federal ou a Confederação Nacional do Comércio

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